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Após polêmicas na semana passada, filho de Bolsonaro afirma que PSL tem "outras preferências" para o comando da Casa que se renovará em fevereiro

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) quer se candidatar à reeleição em fevereiro de 2019, mas não contará com o apoio do PSL
Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) quer se candidatar à reeleição em fevereiro de 2019, mas não contará com o apoio do PSL

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro, afirmou que o partido do presidente eleito, Jair Bolsonaro, não apoiará o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), à reeleição na eleição que acontecerá em fevereiro do ano que vem quando os novos deputados eleitos tomam posse. Segundo o filho de Bolsonaro, o PSL tem "outras preferências" para o comando da Casa.

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Deputado reeleito com votação recorde por São Paulo, Eduardo Bolsonaro explicou que a sua preferência por outro nome passa pela articulação de Rodrigo Maia com o PT – maior bancada da Casa – para se eleger no atual mandato, ressaltando que o PT é o principal adversário de Bolsonaro.

"Todos sabemos que ele chegou articulando e conversando muito com o pessoal do PT. Não foi à toa que matérias como a CPI da UNE, dentre outras, não foram adiante. Por outro lado, ele transita bem pela direita. Seria muito melhor Maia do que alguém do PT no comando da casa, pode ter certeza disso, tanto que ele coloca adiante pautas como a comissão da escola sem partido, desarmamento, mas existem outras preferências", declarou Eduardo Bolsonaro ao blog da jornalista Andreia Sadi.

Na sequência, Eduardo Bolsonaro também afirmou que "até mesmo se você perguntar para o Maia se ele quer que Eduardo Bolsonaro seja o próximo presidente da Câmara , certamente ele vai dizer que tem outras preferências", concluiu o deputado antes de negar que seja candidato:

"Não, não, não. Até porque tem aquela corrente, tenho 34 anos, e tem aquela corrente que tem que ter mais de 35 anos para assumir a Presidência, porque entra na linha sucessória. Mas é uma questão de preferência", afirmou o deputado reeleito lembrando que o presidente da Câmara escolhido também pode ocupar a Presidência no caso de ausência do presidente e do vice.

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Além de si mesmo, o filho do presidente eleito afirmou que defende que o PSL não tenha um candidato próprio, segundo ele, porque a bancada tem muitos deputados novatos. "Ser presidente não é tarefa fácil, ano que vem a oposição vai ser grande, raivosa, e está se organizando para obstruir matérias, então o PSL tem que colocar pessoa com experiência para assumir o comando da mesa, e muito disso será conversado com o [presidente do PSL, Luciano] Bivar", explicou o líder da bancada do partido na Câmara.

Entre os nomes que indicam as "outras preferências" do PSL, segundo Eduardo Bolsonaro, estão os deputados João Campos (PRB-GO), Alceu Moreria (MDB-RS) e João Henrique Caldas (PSB-AL). 

No entanto, o próprio Luciano Bivar (PSL-PE) admitiu que "João Campos é um nome, sim" e que o partido "pode abrir mão" de ter um candidato próprio desde que o escolhido tenha o perfil que consiga "viabilizar as reformas", mas também disse que não tem restrição ao nome de Rodrigo Maia. "Minha preocupação com Rodrigo Maia é que ele, atrás de votos, possa comprometer alguma das reformas. Por exemplo, a trabalhista", afirmou também ao blog da jornalista Andreia Sadi, no último domingo (9).

Na quarta-feira (12), é esperado que a bancada do PSL se reuna para discutir, entre outros, este assunto sobre a sucessão na presidência da Câmara. O deputado Delegado Waldir (PSL-GO) que deverá ser encaminahdo como líder do partido na Câmara, sucedendo o próprio Eduardo Bolsonaro, revelou que o próprio presidente eleito, Jair Bolsonaro, pediu a ele e ao senador Major Olímpio (PSL-SP), em reunião, que o PSL não tenha candidato na Câmara "em nome da governabilidade" e já que "é um pedido dele, vamos acatar".

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Apoio ou não à Rodrigo Maia revela racha no PSL

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) está articulando uma candidatura alternativa à Presidência da Câmara com o apoio do presidente eleito
Paola de Orte/Agência Brasil
Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) está articulando uma candidatura alternativa à Presidência da Câmara com o apoio do presidente eleito

As declarações de Eduardo Bolsonaro, Luciano Bivar e Delegado Waldir vêm na sequência de uma semana em que mensagens reveladas do grupo de WhatsApp chamado "Bancada PSL 2019" mostraram um racha no partido, entre outros motivos, por conta das articulações do PSL para apoiar um nome à sucessão presidencial da Câmara dos Deputados.

Isso porque alguns deputados do PSL procuraram Rodrigo Maia na semana passada para discutir o futuro espaço da silga na Mesa Diretora e em comissões chave da Câmara dos Deputados a partir da próxima legislatura que começa em fevereiro de 2019 no caso do partido apoiar o atual presidente à reeleição.

Como se confirmou oficialmente agora, o movimento deste grupo de deputados, no entanto, vai na direção oposta ao de outras lideranças do partido que, segundo mensagens reveladas pelo jornal O Globo na tarde da última quinta-feira (6), estão tentando montar uma candidatura de oposição ao nome de Rodrigo Maia, sobretudo em torno do nome do deputado João Campos.

Este grupo de deputados que, segundo informações de bastidores era liderado pelo próprio Luciano Bivar, procurou Maia e indicou que gostaria de garantir uma importante vafa na composição da Mesa Diretora da Casa, provavelmente a vice-presidência, e o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara já que por ela passam todos os projetos relacionados à constitucionalidade e à legalidade que, depois, serão submetidos ao plenário.

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Direigentes do DEM, no entanto, afirmaram que Rodrigo Maia não assumiu nenhum compromisso com o PSL na ocasião e revelaram irritação de aliados do atual presidente da Câmara com o partido do presidente eleito. Com a declaração oficial de Eduardo Bolsonaro, agora, as relações devem ficar ainda mais estremedicadas já que, no passado, o próprio Rodrigo Maia tinha pedido a neutralidade ao governo Bolsonaro que, por sua vez, declarou publicamente que não iria interferir na disputa.

Dessa forma, a vice-presidência da Mesa na chapa de Maia deve ficar, novamente, com um dos partidos do "Centrão", com quem ele se articula para conseguir a reeleição a despeito do apoio das duas maiores bancadas da futura composição da Câmara dos Deputados, a do PT e a do PSL. Na gestão atual, o posto é ocupado pelo MDB, partido do atual presidente Michel Temer.

Enquanto isso, a outra ala do PSL, que inclui o filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), tenta atrair integrantes de outras siglas para fortalecer a candidatura de Campos. O jornal O Globo revelou que, secretamente, o deputado federal eleito por São Paulo se reuniu com dirigentes de legendas como o PR, o PRB e o Podemos a pedido de Bolsonaro para lançar uma outra chapa com o apoio do governo. 

Na ocasião, Eduardo Bolsonaro mandou uma mensagem pelo grupo no WhatsApp chamado "Bancada PSL 2019" em que diz "O PSL está fora das articulações? Estou fazendo o que com o líder do PR agora? Ocorre que eu não preciso e nem posso ficar falando aos quatro cantos o que ando fazendo por ordem do presidente. Se eu botar a cara publicamente, o Maia pode acelerar as pautas bombas do futuro governo. Por isso, quem tem feito mais essa parte é o delegado Waldir no plenário e o Onyx via líderes partidários", disse o filho de Bolsonaro.

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Também segundo as mensagens reveladas pela reportagem, ele e a deputada Joice Hasselmann discutiram e trocaram acusações. Eduardo Bolsonaro disse para a deputada "sua fama já não é das melhores. A continuar assim vai chegar com fama ainda maior de louca no Congresso. Favor não confundir humildade com subordinação. Liderança é algo automático, não imposto". Na sequência, Eduardo disse ainda que:

"Salta aos olhos a intenção da Joice de ser líder [do partido] e assim como já demonstrou na época da campanha ela atropela qualquer um que esteja à frente de seus objetivos (...) Vamos começar o ano já rachados com olhar de desconfiança e cheios de dúvidas", escreveu Eduardo no grupo.

Como resposta, Joice mandou: "Eduardo, não admito nem te dou liberdade para falar assim comigo, ou escrever algo nesse tom. Não te dei liberdade pessoal nenhuma, portanto, ponha-se no seu lugar. Minhas discussões aqui são políticas e não pessoais. Se formos discutir a questão 'fama', a coisa vai longe. Então não envergonhe o que seu pai criou" e completou dizendo, em outro momento:

"Você tem meu telefone, Eduardo. Quando quiser conversar como gente grande, sem mandar recadinhos pelo Twitter, ligue ou falemos olho no olho. Sou adulta o suficiente para passar por cima do que aconteceu na época de campanha com major [Olímpio] e cia. Acho que vc tbm deveria ser. Hora de crescer. Saudações", finalizou.

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João Campos, o possível candidato apoiado pela ala liderada por Eduardo Bolsonaro, por sua vez, pediu ao filho de Bolsonaro que convença o pai a se envolver diretamente com a disputa na Câmara. Representantes do PRB que também integrariam a futura chapa, no entanto, ouviram do futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que o bloco de deputados poderá ter simpatia do novo governo, mas não mais do que isso, confrontando com a versão dada pelo próprio Eduardo Bolsonaro, em particular, no grupo de WhatsApp do PSL, sobre a oposição a Rodrigo Maia .