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Presidente argentino revelou que já conversou com Jair Bolsonaro, quem chamou de amigo, e disse que o capitão reformado é a favor do acordo entre os dois blocos econômicos; negociações já duram mais de duas décadas

Bolsonaro deve tratar com o futuro ministro Ernesto Araújo sobre as negociações do Mercosul
Rafael Carvalho/Governo de Transição
Bolsonaro deve tratar com o futuro ministro Ernesto Araújo sobre as negociações do Mercosul


O presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou nesta segunda-feira (3) que, antes da Cúpula dos Líderes do G20, que acabou há dois dias em Buenos Aires, o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, disse a ele que quer avançar nas negociações entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE).

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"Falei antes de começar o G20 com o meu novo colega Bolsonaro, e ele me confirmou que quer avançar neste acordo Mercosul e União Europeia, mas precisa ver como está e tomar a sua posição", disse Macri.

Os dois blocos econômicos negociam um acordo baseado em três pilares - diálogo político, cooperação e livre-comércio - há quase duas décadas.

Nos últimos dois anos, o processo ganhou fôlego, e várias são as vozes que consideravam que a assinatura definitiva esteja próxima. Representantes da América do Sul querem, sobretudo, que a produção automobilística e a de agronegócio sejam unidas com a da Europa.

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As declarações do líder argentino, de certa forma, melhoram a visão dos países da América do Sul com relação ao próximo presidente do Brasil. Uma declaração do futuro ministro Paulo Guedes afirmando que o bloco econômico não teria prioridade no governo deixou a relação um pouco estremecida.

Macri antecipou que deve conversar com o capitão reformado nos próximos meses e debater o tema e anunciou que, no próximo dia 10, haverá uma nova reunião técnica entre os blocos.

"Claramente é um acordo muito demorado. Há mais de 20 anos que esta negociação existe”, afirmou Macri.

O presidente argentino disse que todos os líderes concordaram que esse acordo é uma grande oportunidade para todos e citou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente francês, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros da Espanha, Pedro Sánchez, e da Itália, Giuseppe Conte.

"Infelizmente todas essas demoras fizeram com que haja uma nova autoridade ( Jair Bolsonaro ), embora ainda não tenha assumido no Brasil", ressaltou.

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Entre as 17 reuniões bilaterais que ocorreram de forma paralela à cúpula do G20, Mauricio Macri destacou a que manteve com a primeira-ministra britânica, Theresa May.

 "Sabemos que o Reino Unido está se separando da Europa, e isso também abre oportunidade de gerar convênios de troca específicos com o Mercosul , e eles também estão abertos", afirmou. 

*Com informações da Agência Brasil

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