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Tereza Cristina defendeu o porte de armas para produtores rurais e afirmou que há abuso nas multas florestais, o que, segundo ela, afeta os pequenos

A futura ministra da agricultura do governo Bolsonaro, Tereza Cristina
Antonio Cruz/Agência Brasil
A futura ministra da agricultura do governo Bolsonaro, Tereza Cristina

A futura ministra da Agricultura, escolhida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), a deputada Tereza Cristina, disse, em entrevista publicada nesta quarta-feira (21) pelo jornal O Globo , que o Brasil precisa rever o Mercosul e que o acordo não deve continuar como está por ser "desvantajoso" para o País. A deputada também falou sobre o porte de armas para produtores rurais e a respeito da relação do Brasil com a China. 

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Tereza Cristina afirmou que o Mercosul é "desigual", principalmente para os produtos agropecuários. Além disso, disse que o leite entra no País e causa prejuízo para os pequenos produtores. "O mundo hoje é muito rápido e dinâmico. Está na hora de sentar e rever o Mercosul. Sem deixar o protagonismo do Brasil e sem deixar de ter esse relacionamento com os nossos vizinhos, mas fazendo um acordo, talvez, mais moderno e melhor", disse. 

A ministra também disse querer mudar alíquotas dentro do bloco. "A gente precisa sentar e ver os interesses. Ou o Brasil tenta fortalecer o Mercosul e dizer o que quer, ou então ele sai, num caso extremo. Mas não deve continuar como está. É desvantajoso para nós", completou. Para ela, o Brasil deve permanecer no Acordo de Paris. "Sou a favor. O Brasil cumpre quase tudo do Acordo de Paris" afirmou. 

Quando questionada sobre o Estatuto do Desarmamento, a futura ministra respondeu que é a favor da mudança para produtores rurais, mas não acredita que o porte de armas deva ser liberado para todos os cidadãos. "Não sou a favor de armar toda a população, mas acho que a gente teve um plebiscito e teve um exagero nesse desarmamento geral. As pessoas do campo podem ter arma. Poderiam ter um curso, um preparo". 

Para Tereza Cristina, a China é um dos mercados internacionais prioritários nas relações com o Brasil. "A China, hoje, é um grande mercado. Vai colocar, nos próximos anos, 300 milhões de pessoas na classe média, o correspondente a um Brasil e meio. Essas pessoas passam a ganhar mais e consomem mais proteína animal, adicionam carne à sua alimentação." 

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Em relação ao desmatamento, a deputada disse que algumas fronteiras podem precisar ser desmatadas, mas dentro do código florestal. Também afirmou que há um excesso de multas florestais e que isso afeta, principalmente, os pequenos produtores. "Antes de você ir ao campo e multar, é preciso explicar o que está acontecendo, dar uma notificação e, se depois ele incorrer de novo, haverá uma infração. Há abusos e excessos. Tem muitas multas descabidas" defendeu. 

A futura ministra da Agricultura também prometeu fortalecer a agricultura familiar e tratar desse tema com "seriedade e boa vontade". Tereza ainda disse ter uma relação "de respeito" com o MST. "Lá no meu estado (Mato Grosso do Sul) tive uma relação no início um pouco tensa, mas depois virou uma relação de respeito, de ouvi-los. O que não pode é o MST tomar lote, invadir terra. Isso é muito ruim, e acho que nem precisa disso hoje". 

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Na semana passada, uma reportagem da Folha de S.Paulo  denunciou que Tereza Cristina  concedeu incentivos fiscais à JBS, na época em que ainda era a secretária do agronegócio de Mato Grosso do Sul (MS). Ainda segundo a reportagem, a futura ministra de Bolsonaro mantinha um negócio pecuário com o grupo dos irmãos Wesley e Joesley Batista. A ministra desmentiu as acusações. 

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