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Governador foi preso na manhã desta quinta-feira (29) pela força-tarefa da Justiça Federal denominada "Boca de Lobo", mas nega todas as acusações

Governador Luiz Fernando Pezão é conduzido para presídio em Niterói para cumprir sentença de prisão temporária
Reprodução/TV Globo
Governador Luiz Fernando Pezão é conduzido para presídio em Niterói para cumprir sentença de prisão temporária

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, negou as acusações de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitações que resultaram na sua prisão preventiva na manhã desta quinta-feira (29) através da Operação Boca de Lobo, da Polícia Federal (PF), um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

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Em rápida entrevista na saída do prédio da superintendência da PF, na Praça Mauá, Centro do Rio de Janeiro, Pezão  fez um sinal de positivo com o dedo polegar e afirmou "é óbvio que eu nego, nego tudo", quando questionado se tinha cometido os crimes dos quais é acusado. Ele esteve reunido por cerca de quatro horas com seus advogados no local, enquanto prestava depoimento à PF.

No mesmo local, Pezão também realizou o exame de corpo de delito, portanto, ele não precisou passar pelo Instituto Médico Legal (IML), também no Centro do Rio de Janeiro, e pode ser conduzido à Cadeia Pública Frederico Maques, em Benfica, na Zona Norte da cidade, diretamente onde deu entrada no sistema prisional do estado.

Depois de passar pelo local, ele foi conduzido para o presídio da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), em Niterói, na região metropolitana da capital, onde ele ocupará uma sala de estado maior e não um cela comum, como é prerrogativa dos cargos que têm foro privilegiado, como é o caso do governador do Rio de Janeiro.

O local foi uma sugestão do interventor federal na segurança pública do estado, general Walter Braga Netto e é o mesmo onde está preso o ex-procurador-geral do Ro de Janeiro, Cláudio Lopes, que é acusado de blindar o esquema de corrupção do, também preso, ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Pezão é o quarto governador consecutivo do Rio de Janeiro a ser preso

Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi preso na manhã de hoje (28) no Palácio Laranjeiras
Agência Brasil/ Marcelo Sayão
Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi preso na manhã de hoje (28) no Palácio Laranjeiras

O dia começou cedo para os policiais envolvidos na operação Boca de Lobo , para os jornalistas que acompanharam o caso e, é claro, para o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB).

Ele foi acordado às 6h da manhã desta quinta-feira (29) por agenda da Polícia Federal (PF) que foram até o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo fluminense, que fica no bairro de mesmo nome na Zona Sul da cidade, para cumprir o mandado de prisão preventiva emitido pelo juiz federal do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer, a pedido da Procuradora-Geral da República (PGR), Raquel Dodge, contra o atual governador.

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A pedido do governador preso, os policiais permitiram que Pezão tomasse banho e café da manhã antes de deixar o local num carro de luxo da Polícia Federal "improvisado" de viatura por volta das 7h30. Às 7h50, o governador chegou à sede da superintendência da PF, já no Centro do Rio, onde passou pelo exame de corpo de delito e prestou depoimento.

Em entrevista coletiva, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que a prisão do Pezão se deu antes mesmo do fim do mandato do governador porque havia "infrações criminosas muito graves" ocorrendo no Rio de Janeiro. Segundo ela, mesmo depois da prisão de outras tantas autoridades no Rio, o esquema criminoso no estado "não cessou".

 "Um dos crimes em curso é o de organização criminosa, continua atuando e especialmente a lavagem de dinheiro. A lavagem é o crime que se pratica após a corrupção e que consiste em ocultar onde o dinheiro está. Pelas informações, continua a ser feito", disse a procuradora-geral. 

Na coletiva, Dodge reafirmou que o que chamou de "esquema criminoso" que atua no Rio se instalou "em diversas unidades públicas do estado". Segundo ela, "muitos já estão condenados e presos, mas percebeu-se que este esquema criminoso ainda não cessou".

"E é por essa razão, os infratores ainda praticarem esse crime, que chegou-se a necessidade de requerer prisão preventiva para a garantida da ordem pública", disse Dodge.

Dessa forma, a operação de hoje, apelidada de Boca de Lobo, prendeu o quarto governador consecutivo do Rio de Janeiro. Além de Pezão, seus antecessores, Sérgio Cabral (MDB), Anthony Garotinho (PRP) e Rosinha Garotinho (PR) também foram presos – todos, porém, quando já não estavam mais em exercício do cargo, diferente de hoje.

Além do governador, outros oito alvos também foram presos na manhã desta quinta-feira, desde assessores a um sobrinho do político, entre eles:

  • José Iran Peixoto Júnior, secretário de Obras;
  • Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz, secretário de Governo;
  • Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, e
  • Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador.

Já do lado dos "corruptores", por assim dizer, também estão entre os alvos:

  • Cláudio Fernandes Vidal, sócio da J.R.O Pavimentação;
  • Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócio da J.R.O Pavimentação; além de
  • Luis Fernando Craveiro de Amorim; e
  • César Augusto Craveiro de Amorim, ambos sócios da High Control.

No total, só nesta operação, foram cumpridos 30 mandados nas cidades do Rio de Janeiro, Piraí, Juiz de Fora, Volta Redonda e Niterói. Além das prisões, o ministro Felix Fischer, autorizou buscas e apreensões em endereços ligados a 11 pessoas físicas e jurídicas, incluindo no Palácio Guanabara, sede do governo do estado, bem como o sequestro de bens dos envolvidos até o valor de R$ 39,1 milhões.

Batizada de Boca de Lobo, a operação é baseada na delação premiada de Carlos Miranda, operador financeiro de Sérgio Cabral. O ex-governador, de quem Pezão foi vice, também está preso.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Pezão não só fez parte do esquema de corrupção de Sérgio Cabral como também desenvolveu um mecanismo próprio de desvios quando seu antecessor deixou o poder.

Também segundo o próprio MPF, há provas documentais do pagamento em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões, em valores de hoje, entre 2007 e 2015. De acordo com á PF, ele cobrava até 8% de propina dos contratos do governo em benefício próprio.

De acordo com o MPF, o valor é incompatível com o patrimônio declarado pelo emedebista à Receita Federal.

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Na avaliação da força-tarefa da Lava Jato, solto, o governador Pezão poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa. Segundo o MPF, o esquema de corrupção ainda estava ativo.

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