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Denúncia contra o governador do Rio de Janeiro não está pronta, mas PF e PGR concordaram que prisão há um mês do fim do mandato do emedebista evitaria a perda de provas e eventual pedido de anulação da investigação

Luiz Fernando Pezão foi preso pela manhã no Palácio Laranjeiras e será transferido para sala de Estado Maior em Niterói
Severino Silva/Agência O Dia - 31.03.16
Luiz Fernando Pezão foi preso pela manhã no Palácio Laranjeiras e será transferido para sala de Estado Maior em Niterói

O cumprimento das diligências que levaram o governador do Rio de Janeiro,  Luiz Fernando Pezão (MDB), a ser preso a apenas um mês do fim de seu mandato no governo fluminense foi agilizado por parte dos investigadores e delegados que atuam na Operação Lava Jato no estado. Essa pressa atendeu a pedido da Polícia Federal, com a anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR), para que a coleta de provas e documentos não fosse prejudicada.

A força-tarefa da Lava Jato temia que, uma vez que Pezão deixasse o Palácio Guanabara, documentos importantes para as investigações acabassem se perdendo e, desse modo, a recuperação dos valores desviados se tornasse ainda mais difícil.

A Polícia Federal ainda tenta identificar onde está o dinheiro que teria sido desviado pelo atual governador, segundo informou o delegado federal Alexandre Bessa, responsável pelas investigações. Já se sabe que o emedebista teria recebido propinas de empresas em contratos do governo do estado, mas os policiais ainda não sabem explicar onde está o dinheiro ou que vantagens indiretas Pezão teria recebido nesse esquema.

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Uma vez que nem todos os detalhes do esquema criminoso envolvendo o governador fluminense são conhecidos, ainda não há uma denúncia formulada contra Luiz Fernando Pezão. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem do jornal O Globo , apesar de a prisão preventiva ter sido autorizada por ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a denúncia só deve ser apresentada no ano que vem, ao juízo de primeira instância. O caso deve ficar sob responsabilidade do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro.

Além de temer que a perda de provas documentais, os responsáveis pelas investigações temiam que, com a perda do foro privilegiado, o governador pedisse a anulação das diligências já cumpridas e levasse o processo de volta à estaca zero.

Ao justificar o pedido de prisão preventiva, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse nesta manhã que o governador do Rio de Janeiro é "herdeiro" do esquema criminoso criado pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e alegou que sua prisão seria necessária para "garantir a ordem", uma vez que os crimes continuam acontecendo.

"O esquema criminoso ainda não cessou. É em razão de os infratores ainda continuarem praticando os crimes é que chegou-se à necessidade de requerer a prisão preventiva para garantir a ordem pública", disse Dodge.

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Preso no início da manhã na residência oficial do governador, o Palácio Laranjeiras, Luiz Fernando Pezão prestou depoimento na sede da Polícia Federal e foi submetido ao exame de corpo de delito. Por ser o atual governador do Rio, ele será transferido ainda hoje para uma sala de Estado Maior em batalhão situado em Niterói. Os demais presos na operação desta manhã ficarão na penitenciária de Benfica.

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