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Governador Luiz Fernando Pezão é o quarto governador do Rio de Janeiro preso e será sucedido por Francisco Dornelles. Veja quem é o novo interino

Vice-governador Francisco Dornelles (PP) assume o governdo do Rio de Janeiro com a prisão de Luiz Fernando Pezão (MDB)
Reprodução/Agência Câmara
Vice-governador Francisco Dornelles (PP) assume o governdo do Rio de Janeiro com a prisão de Luiz Fernando Pezão (MDB)

O vice-governador Francisco Dornelles (PP), de 83 anos, assumiu automaticamente o governo do estado do Rio de Janeiro após a prisão do governador Luiz Fernando Pezão, na manhã desta quinta-feira (29), através da Operação Boca de Lobo, em mais uma etapa da Operação Lava Jato.

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Essa é pelo menos a terceira vez que Francisco Dornelles assume o cargo de governador desde que se tornou vice-governador de Pezão , com a prisão de Sérgio Cabral, de quem Pezão também era vice. Mas o histórico de prisão de seus antecessores não para por aí. Além de Pezão, preso hoje, Cabral, Dornelles também foi antecedido por Anthony e Rosinha Garotinho, elevando para quatro a sequência de governadores presos do Rio de Janeiro.

A primeira vez que Francisco Dornelles assumiu interinamente o governo do Rio de Janeiro foi em março de 2016 quando Pezão se licenciou do cargo por sete meses (entre 28 de março e 31 de outubro daquele ano) após ser diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin anaplástico de célulcas T-Alk positivo, ele era, portanto, o governador em exercício durante a realização dos Jogos Olímpicos Rio 2016, entre julho e agosto de 2016. Já em julho de 2017, Pezão novamente entrou de licença médica para cuidar de problemas no seu quadro metabólico, mas dessa vez, por apenas uma semana.

Nesta terceira oportunidade, o novo governador interino deverá ficar pouco mais de um mês no comando do governo do Rio de Janeiro. Isto porque a prisão de Pezão é preventiva, não temporária, e o governador eleito Wilson Witzel assumirá o cargo só em 1º de janeiro de 2019.

Sucessor de Pezão já foi senador pelo Rio e é primo de Aécio

Novo governador interino Francisco Dornelles (PP) é primo de segundo grau de Getúlio Vargas, por parte de mãe, e de Aécio Neves, por parte de pai
Reprodução/Agência Câmara
Novo governador interino Francisco Dornelles (PP) é primo de segundo grau de Getúlio Vargas, por parte de mãe, e de Aécio Neves, por parte de pai

Francisco Dornelles nasceu em Belo Horizonte no dia 7 de janeiro de 1935. Formou-se em Dirieto pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e em Tributação pela Univerisidade de Harvard, antes de se especializar em finanças públicas e tributação em outros cursos no exterior.

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No lado pessoal, Dornelles é tanto primo em segundo grau pelo lado paterno do ex-presidente Getúlio Vargas, quanto primeiro em segundo grau do senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), já que é sobrinho do ex-primeiro ministro e ex-presidente Tancredo Neves, através de quem entrou na política, atuando na Secretaria de Finanças de Minas Gerais, em 1959, quando o tio foi governador de Minas e, depois, como secretário particular quando Tancredo foi primeiro-ministro.

Além disso, o novo governador interino do Rio de Janeiro também é sobrinho do militar, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Agricultura Ernesto Dornelles e descendente do capitão-mor da Capitania de São Vicente Amador Bueno e dos bandeirantes Francisco Bueno e Bartolomeu Bueno, conhecido como o Moço.

No passado recente, Dornelles já foi alvo de mais de dez pedidos de impeachment no governo do Rio de Janeiro, junto com Pezão, sendo que oito deles já forma arquivados. A partir de agora, no entanto, se Dornelles se afastar do cargo durante os próximos 32 dias em que será governador, quem assumirá o cargo é o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que, no momento é André Luiz Ceciliano (PT).

André Ceciliano, por sua vez, só assumiu o comando da Alerj depois que seu antecessor, Jorge Picciani, também foi preso, após ser alvo da Operação Cadeia Velha, suspeito de receber propina da Fetranspor, em um esquema de corrupção no setor que envolveria políticos. Atualmente, Picciani cumpre prisão domiciliar em sua casa na Barra da Tijuca, com tornozeleira eletrônica, por decisão, em março deste ano, da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Já Pezão, segundo o Ministério Público Federal (MPF), operava um esquema de corrupção próprio. Apesar de ter sido homem de confiança de Sérgio Cabral e assumido papel fundamental na organização criminosa do ex-governador, inclusive sucendendo-o na sua liderança, Pezão operou esquema de corrupção com seus próprios operadores financeiros, cobrando 5% de propina em todas as obras públicas realizadas na sua gestão, num esquema que pode ter desviado mais de R$ 25 milhões, em espécie.

Luiz Fernando Pezão foi preso na manhã desta quinta-feira (29), por agentes da Polícia Federal (PF) que foram até o próprio Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo fluminense, para cumprir o mandado de prisão. A força-tarefa da Lava Jato acordou o governador e deu voz de prisão contra o político por volta das 6h, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Depois disso, já por volta das 7h30, os policiais ainda aguardaram que o governador tomasse banho e café da manhã, antes de deixar o Palácio, sem algemas, e ser conduzido pelos policiais ao prédio da Polícia Federal (PF), no centro do Rio de Janeiro, onde passou por exame de corpo de delito e começou a prestar depoimento.

O sucessor de Pezão, Fernando Dornelles, por sua vez, assume o estado no momento em que o Rio de Janeiro passa por uma intervenção federal na área da segurança pública e investiga o caso do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, provalvemente a mando de milicanos.

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Além disso, ainda sob o governo de Pezão , provou-se negligente em casos recentes como o incêndio do Museu Nacional e não tem dinheiro nos cofres públicos para realizar o pagamento do 13º salário dos servidores públicos que, por lei, deve ser realizado até, no máximo, 20 de dezembro. Oriundo da área tributária, Dornelles, inclusive, chegou a declarar estado de calamidade financeiro do Estado, em sua primeira passagem como governador interino, já que a situação das contas públicas do Rio de Janeiro é uma das mais delicadas entre todas as unidades da federação do Brasil.

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