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Em acordo com Ministério Público, concessionária diz que ex-governadores e deputados de partidos como PSDB, PT, MDB e PTB receberam repasses

A CCR negociou um acordo com o MP e revelou o repasse de caixa dois
Reprodução/Wikipedia
A CCR negociou um acordo com o MP e revelou o repasse de caixa dois

O grupo CCR, companhia que atua em concessões de estradas e aeroportos, e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) fecharam acordo de leniência que revelou a existência de caixa dois de pelo menos R$ 30 milhões, destinados a campanhas eleitorais de ex-governadores e deputados de São Paulo. Cerca de 15 políticos são citados. As informações são do jornal O Estado de São Paulo

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A CCR , uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura e transportes da América Latina, admitiu que repassou valores por meio de doações ilegais a políticos do PSDB, PT, MDB, PTB e outros partidos. Entre os beneficiários, há parlamentares com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Para se livrar de processos contra a companhia e contra algumas de suas controladas, a empresa se dispôs a pagar uma multa de R$ 81 milhões, sendo que R$ 17 milhões serão doados à biblioteca da Faculdade de Direito da USP. Se a promotoria encontrar provas de que houve corrupção, o acordo será desfeito.

Os nomes ainda permanecem em sigilo mas, de acordo com apuração do jornal Folha de S.Paulo , estão incluídos o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD) e o senador José Serra (PSDB). Nenhum dos três se manifestou quanto ao assunto até o momento.

Em maio deste ano, o promotor José Carlos Blat, que negociou o acordo de leniência com a concessionária, disse ter coletado relatos que apontavam repasses que totalizam R$ 23 milhões a três políticos do PSDB de São Paulo entre 2009 e 2012. Alckmin constava dessa lista como beneficiário de doação de R$ 5 milhões, que teriam sido pagos ao cunhado do ex-governador, o empresário Adhemar Ribeiro, e usado como  caixa dois em sua campanha de 2010. 

À época, a defesa de Alckmin disse que "o fato nunca existiu" e que, portanto, "é falso".

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A investigação começou com a delação do operador Adir Assad e o acordo teve origem em duas ações recentes da Operação Lava Jato no Paraná, após longa negociação com cinco executivos da CCR e um grupo de promotores que atuam na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

No acordo com procuradores da Lava Jato, Assad afirmou que era amigo do ex-presidente da concessionária, Renato do Valle, e de um ex-executivo do grupo, José Roberto Meirelles. A prática de caixa dois ocorreu quando Valle ocupava a presidência da empresa.

A primeira etapa da investigação trata de caixa dois eleitoral especificamente, que foi efetuado por meio de doleiros ou contratado em forma de "consultorias".  O próximo passo será a investigação de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Quando questionado pelo Estadão  sobre os políticos citados, um dos investigadores respondeu que “vai de A a Z". "Tudo que tiver de eleição nesse período está no acordo, até eleição de síndico de prédio tem lá", disse.

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O objetivo dos repasses via caixa dois era conquistar a simpatia dos políticos para pleitos da CCR , segundo declarações de executivos da companhia feitas ao promotor José Carlos Blat.

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