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Futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública do Brasil afirmou que a proposta do governador eleito do Rio de Janeiro foi mal interpretada e que não há uma lei que permita atirar e matar cidadãos supostamente armados

Sérgio Moro afirma que a
José Cruz/Agência Brasil
Sérgio Moro afirma que a "lei do abate" não existe em lugar nenhum do Brasil


Sérgio Moro e Wilson Witzel compareceram a um evento de ex-alunos de direito da Universidade de Harvard que aconteceu no Centro do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (23) e passaram por um momento no mínimo desagradável. Perguntado se é a favor da popularmente conhecida como “lei do abate” proposta pelo governador eleito do Rio, o  futuro ministro da Justiça e Segurança Pública afirmou que não tem o mesmo entendimento sobre o tema.

 "Não parece que a proposta seja essa. Não existe uma lei desse tipo no Brasil ", disse Moro, trazendo a ideia de  que a ‘ lei do abate ’, na verdade, foi mal interpretada.

O termo surgiu após Wilson Witzel afirmar, ainda em campanha para o governo, de que no seu mandato o policial estará autorizado a atirar e matar suspeitos que estejam representando um risco ao cidadão. Ou seja, que esteja portando fuzis.

O ex-juiz federal do Rio de Janeiro afirmou, inclusive, que  atiradores de elite seriam treinados para “abater criminosos” que portarem fuzis, independente do local em que estejam.

As declarações de Witzel foram fortemente criticadas por grupos de direitos humanos que defendem que a polícia haja apenas quando a ameaça se concretiza, para não correr risco de matar inocentes.

A fala de Sérgio Moro vem ao encontro justamente do que defendem as ONGs, que afirmam que a proposta do governador eleito não está na Constituição Federal.

Ao ouvir a resposta do próximo ministro da Justiça e Segurança Pública, Witzel apenas sorriu, e, conforme combinado antes com a imprensa, preferiu não entrar em debate ou responder novas perguntas.

A segurança pública foi um dos temas mais explorados durante as eleições de 2018 no Rio de Janeiro. O Estado vive sob uma Intervenção Militar que pretende pacificar sobretudo a capital, agindo diretamente no coração do crime: o tráfico de drogas.

Wilson Witzel foi eleito com 59,87% dos votos no Rio de Janeiro, superando Eduardo Paes (DEM) no segundo turno. Ex-juiz federal, o político do PSC é um defensor de Jair Bolsonaro e recebeu o apoio do filho do presidente eleito, Flávio Bolsonaro, no final de sua campanha. Além da " lei do abate ", o próximo governante promete soluções práticas para tirar a sensação de insegurança no Estado.

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