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Futuro governador de São Paulo costurou acordo com bancada tucana e garantiu ao presidente eleito que o PSDB "não ficará em cima do muro"

João Doria e Jair Bolsonaro durante encontro em Brasília
Divulgação/Assessoria de Imprensa de João Doria
João Doria e Jair Bolsonaro durante encontro em Brasília

O governador eleito em São Paulo, João Doria (PSDB) , e o futuro presidente, Jair Bolsonaro (PSL), reúnem-se na tarde desta quarta-feira (7) no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, QG da equipe do governo de transição. 

O encontro entre João Doria e o presidente eleito teve início pouco após as 16h30 desta tarde e durou cerca de uma hora. Também participaram da reunião os futuros ministros Paulo Guedes (Fazenda), Onyx Lorenzoni (Casa Civil), o filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e a recém-eleita deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

"Construímos uma boa pauta nesse encontro. Não foi apenas uma visita de cortesia, foi  uma reunião de trabalho", relatou Doria. "Ele terá nosso apoio para as boas causas. O que for positivo para o Brasil, o presidente terá o nosso apoio e nosso sentimento favorável. Eu disse a ele que o PSDB de São Paulo não fica no muro. Tem lado. E o nosso lado é o lado do Brasil", disse o governador eleito, garantindo que esse apoio não se condiciona a pedir nenhum cargo no governo federal.

O tucano, que mais cedo teve almoço com integrantes da bancada do PSDB na Câmara, afirmou que o partido irá apoiar, já de início, o avanço das propostas de mudanças nas regras para a aposentadoria. "Hoje, reuni 58 parlamentares do PSDB aqui em Brasília e a nossa posição é de apoio à reforma da Previdência, ainda que em etapas."

O governador eleito disse ainda que expressou seu apoio a propostas de desestatização e de desburocratização, também defendidas pelo 'guru econômico' de Bolsonaro, Paulo Guedes. Por fim, Doria relatou ainda que foi conversado sobre ações voltadas para a segurança pública.

A reunião entre Doria e Bolsonaro é realizada após o tucano ter se frustrado em tentativa realizada durante a campanha para o segundo turno das eleições. Naquela ocasião, Doria viajou ao Rio de Janeiro, mas não foi recebido pelo então candidato à Presidência pelo PSL em sua casa, na Barra da Tijuca.

Bolsonaro, mais tarde, minimizou o ocorrido sob a alegação de que o encontro não estava agendado. Ainda para dirimir o mal-estar, o agora presidente eleito também gravou vídeo desejando boa sorte a Doria na corrida eleitoral em São Paulo. O vice de Bolsonaro, general Mourão (PRTB),  também gravou depoimento em apoio ao tucano, que viria a superar o atual governador paulista, Márcio França (PSB), no segundo turno.

Leia também: Doria diz que não sairá como candidato à Presidência em 2022: "Foco total em SP"

João Doria se encontra com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, em Brasília
Rovena Rosa/Agência Brasil
João Doria se encontra com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, em Brasília

Para chegar ao Palácio dos Bandeirantes, o ex-prefeito de São Paulo apostou no chamado voto ' BolsoDoria ', incentivando o eleitor paulista a eleger o candidato do PSL – que outrora era adversário e alvo de ataques de Geraldo Alckmin, presidente nacional do PSDB.

Além de João Doria e Caiado, Bolsonaro teve reuniões também nesta quarta-feira com o presidente Michel Temer, deputados federais, o comando da Aeronáutica e integrantes da sua equipe de governo de transição. Ainda hoje, o futuro presidente também deve se reunir com o governador eleito em Goiás, senador Ronaldo Caiado (DEM).

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