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O ex-presidente declarou que ainda não há embasamento para dizer que Bolsonaro é de extrema-direita; para ele, Brasil não viverá nova ditadura

Para ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afastamento das relações com algumas nações pode ser prejudicial ao Brasil
Agência Brasil
Para ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afastamento das relações com algumas nações pode ser prejudicial ao Brasil


O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) pode prejudicar a imagem do Brasil do exterior, de acordo com a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). As informações são do jornal Folha de S.Paulo .

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As declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram feitas durante o evento Fronteiras XXI, que aconteceu em Lisboa, Portugal.

Segundo FHC, o impacto da mudança de relação com outros países pode ser bastante negativo para o Brasil. “Foi dito que, eventualmente, o Brasil poderia cortar relações com certos países”, disse, dando como exemplo nações vizinhas como a Argentina, o Paraguai, a Venezuela e o Uruguai, que compõe a base dos integrantes do Mercado Comum do Sul (Mercosul). “Ele disse que o Mercosul não é prioridade, o que abala a relação do Brasil com parceiros do Sul”, completou.

Para o ex-presidente, o afastamento do Brasil pode acarretar reações e dificuldades no âmbito internacional. "Se formos por esse caminho, vamos levar o Brasil para uma posição como se fosse os Estados Unidos, mas sem ser os Estados Unidos. Nós não temos esta possibilidade. A China é nosso maior parceiro comercial e, se o Brasil tomar certas medidas, eles vão reagir”, explicou.

Apesar das preocupações relacionadas às políticas exteriores, FHC disse que estamos vivendo uma onda de conservadorismo, mas não há certeza do quanto Bolsonaro pertence à extrema-direita. Ele também afirmou que o País não viverá uma nova ditadura – uma preocupação demonstrada por grande parte da população, que foi às urnas pela democracia e votou no então candidato Fernando Haddad (PT).

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"Eu quero ver o que ele vai fazer. Uma coisa é o que as pessoas dizem na campanha, outra coisa é o que fazem. Se for [extrema-direita], contará com a minha oposição”, afirmou o tucano. “O Congresso é forte, os tribunais são fortes. As Forças Armadas são bastante treinadas no sentimento democrático e de respeito à Constituição.”

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou possibilidade de voto em Bolsonaro


Durante o segundo turno das eleições, FHC declarou em suas redes sociais que não daria seu voto a Bolsonaro . “O que penso declaro no Twitter e na mídia. Por ora, disse que, no Bolsonaro, não voto, e de as razões. Nada além disso", escreveu em sua conta no Twitter, além de fazer outras críticas ao membro do PSL. Ele também destacou a necessidade do  “respeito à Constituição”, depois de relacionar algumas vezes em suas falas Jair Bolsonaro e atitudes antidemocráticas.   

Durante o evento em Lisboa, no entanto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse não conhecer o candidato o suficiente para opinar fortemente. "Parece que [Jair Bolsonaro] foi parlamentar por 27 anos. Eu fui presidente durante oito, fui ministro durante dois, fui senador por mais não sei quanto tempo e não o conheço. Nunca o vi ou ouvi. Ouvi só agora, recentemente. Não tenho conhecimento pessoal para julgá-lo”, disse.

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