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Após ser citado por Eduardo Bolsonaro em fala sobre fechar o STF, ministro do Supremo é mais um a manifestar repúdio e comparar período à ditadura

Ministro do Supremo Gilmar Mendes afirma que nem a ditadura foi capaz de fechar o STF em resposta à declaração de Eduardo Bolsonaro
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Ministro do Supremo Gilmar Mendes afirma que nem a ditadura foi capaz de fechar o STF em resposta à declaração de Eduardo Bolsonaro

A declaração do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável pelo PSL, Jair Bolsonaro, em que afirma que para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal, mais alta corte do País), "é só mandar um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não" continua repercutindo entre os ministros do órgão máximo do poder Judiciário no Brasil.

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Após a declaração de ministros como Dias Toffoli, Celso de Mello e Alexandre de Moraes, agora foi a vez do ministro Gilmar Mendes, citado ironicamente na fala do deputado sobre fechar o STF , se posicionar repudiando a declaração e afirmar que "nem a ditadura fechou o STF".

No vídeo gravado em julho durante uma aula em um cursinho preparatório para concursos públicos no Paraná, o deputado Eduardo Bolsonaro aparece dizendo que "se tirar o poder da caneta de um ministro do STF, que que ele é na rua?", antes de ilustrar "se você prender um ministro do STF, você cha que vai ter uma manifestação popular a favor dos ministros do STF, milhões na rua gritando 'solta o Gilmar! Solta o Gilmar!' Com todo respeito que tenho pelo excelentíssimo ministro Gilmar Mendes".

Citado, o ministro do STF Gilmar Mendes respondeu a jornalistas na porta da Corte nesta terça-feira (23) em Brasília que a manifestação é imprópria e que nem a ditadura militar foi capaz de fechar o STF.

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"Ali se fala que com um cabo e um soldado fecha o tribunal. Quando se faz isso, você já fechou alguma coisa mais importante, que é a própria Constituição. É bom lembrar que nem os militares fecharam o Supremo Tribunal Federal. Houve cassação de mandatos de três ministros em 1969, mas não houve fechamento de tribunal, de modo que esse tipo de referência é absolutamente impróprio, inadequado, precisa ser repudiado e acho que o País tem que voltar a respirar ares democráticos, independente de resultado eleitoral”, disse Gilmar Mendes.

Além disso, Gilmar Mendes também disse que as Forças Armadas devem servir ao País e não a um ou outro partido. “As instituições têm que zelar para que não haja esse acirramento de ânimo. A própria referência a um cabo e um soldado é imprópria, porque as Forças Armadas são instituição do Brasil, do Estado, não de um partido político”, afirmou.

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“Quando se diz ‘Nós vamos usar um cabo e um soldado’, na verdade está se usando as Forças Armadas como milícia, como polícia. Isso não é próprio. As Forças Armadas são um esteio do sistema hoje. É preciso que esses conceitos sejam clarificados”, concluiu o ministro do STF Gilmar Mendes que não quis comentar a citação nominal que o deputado Eduardo Bolsonaro fez na mesma fala que falou sobre fechar o STF .