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Em gravação de vídeo feita em julho deste ano, o deputado federal do PSL afirma que "paga para ver" o tribunal impugnar candidatura de seu pai

O ministro do STF (Supremo Tribubal Federal) Celso de Mello respondeu Eduardo Bolsonaro após a afirmação do deputado federal de que seria necessário apenas um soldado e um cabo para fechar a Corte.

Celso de Mello responde Eduardo Bolsonaro
Rosinei Coutinho/SCO/STF - 15.3.16
Celso de Mello responde Eduardo Bolsonaro

Celso de Mello respondeu a Eduardo Bolsonaro que a sua frase soa como "inconsequente e golpista". O Decano foi além e afirmou que o fato do filho do candidato a presidência ter tido uma votação expressiva nas eleições ( quase dois milhões de votos ) não dá o direito de fazer "investidas contra a ordem político-jurídica".

A ministra Rosa Weber, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), também se manifestou e disse: "No Brasil, as instituições estão funcionando normalmente. E juiz algum no país, juízes todos no Brasil [que] honram a toga, se deixa abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como conteúdo inadequado". Marco Aurélio Mello revelou que vivemos "tempos sombrios".

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O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) também repreendeu seu filho Eduardo por conta de sua declaração sobre "fechar" o Supremo Tribunal Federal (STF). A afirmação foi feita pelo filho de Bolsonaro em vídeo gravado em julho e que voltou ao noticiário nesta tarde após divulgação pela campanha de Fernando Haddad (PT).

Jair Bolsonaro afirmou que não conhece o vídeo no qual seu filho aparece dando essa declaração, mas mesmo assim contemporizou sugerindo que as falas foram "tiradas de contexto". "Isso não existe, falar em fechar o STF. Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra", disse o candidato em entrevista coletiva concedida após evento na casa do empresário Paulo Marinho.

O próprio Eduardo Bolsonaro também se manifestou sobre o vídeo que causou mal-estar na campanha do PSL mesmo em meio a um dia de manifestações de apoio em todo o País. Por meio de suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro reconheceu que "foi infeliz" em sua declaração, mas disse que ela "não é motivo para alarde".

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Eduardo Bolsonaro, por fim, termina a mensagem concordando com seu progenitor. "Se alguém falar que o STF precisa ser fechado, de fato essa pessoa precisa de um psiquiatra. Eu jamais falei isso", defende-se.  

Já no vídeo que gerou a celeuma, Eduardo questionou: "O que é o STF? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua? Se você prender um ministro do STF, vai ter uma manifestação a favor dos ministros do STF com milhões na rua?". 

Veja a carta onde Celso de Mello responde Eduardo Bolsonaro : "Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!! Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no tesmpote da Constituição! Sem que se respeitem a Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito", disso o ministro em carta enviada ao jornal Folha de S. Paulo.