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Candidato coloca panos quentes em polêmica após filho sugerir "fechar o STF" e ministro classificar declaração como "inconsequente e golpista"

Carta de Bolsonaro a Celso de Mello prega
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Carta de Bolsonaro a Celso de Mello prega "respeito indeclinável" à Constituição

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, enviou carta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello na qual prega o "respeito indeclinável" à Constituição e classifica o tribunal como "guardião" do texto constitucional de 1988. A carta de Bolsonaro a Celso de Mello, enviada na noite dessa segunda-feira (22), surge como tentativa de colocar panos quentes na  polêmica causada por declarações de um dos filhos do candidato.

Deputado reeleito por São Paulo, Eduardo Bolsonaro (PSL) afirmou, em gravação feita em julho, que "bastam um soldado e um cabo para fechar o STF". A declaração provocou reações de vários integrantes da corte, dentre eles o decano, Celso de Mello, que classificou a fala como "inconsequente e golpista" . Para contornar o mal-estar, a carta de Bolsonaro a Celso de Mello destaca que o candidato tem "apreço" pelo ministro e pelo Supremo.

"O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição e todos temos de prestigiar a Corte”, diz Bolsonaro, que amenizou o peso das declarações de seu filho comentando que “manifestações mais emocionais, ocorridas nestes últimos tempos, se mostram fruto da angústia e das ameaças sofridas neste processo eleitoral”.

Carta de Bolsonaro a Celso de Mello surge após reações

Eduardo Bolsonaro motivou polêmica ao cogitar
Fotos Públicas
Eduardo Bolsonaro motivou polêmica ao cogitar "fechar o STF"; carta de Jair Bolsonaro a Celso de Mello põe panos quentes

Além do decano do STF, também repudiaram as declarações de Eduardo Bolsonaro ao menos outros dois ministros. Alexandre de Moraes cobrou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) abra procedimento para investigar as declarações e, já sem citar diretamente o deputado, disse que é "inacreditável que tenhamos que ouvir tanta asneira da boca de quem representa o povo".

O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, também divulgou nota oficial na qual pontua que "atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia" . Toffoli não cita diretamente o filho de Bolsonaro em seu texto.

As declarações de Eduardo Bolsonaro podem motivar abertura de investigação pela Polícia Federal , segundo afirmou ontem o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Ainda no domingo (21), dia em que o vídeo do filho de Bolsonaro foi ressuscitado nas redes sociais, Eduardo reconheceu que "foi infeliz" em suas declarações, mas afirmou que sua fala "não é motivo para alarde".

Antes do envio da carta de Bolsonaro a Celso de Mello , o candidato disse que prega "todo o respeito e consideração com os demais Poderes" e garantiu que "já advertiu o garoto" , referindo-se ao seu filho (de 34 anos de idade).