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Polícia Federal atendeu a pedido da procuradora-geral da República e vai apurar denúncias no âmbito criminal; WhatsApp suspendeu 100 mil contas

WhatsApp virou centro das atenções na disputa eleitoral após denúncia de campanha irregular anti-PT
Pixabay/Creative Commons
WhatsApp virou centro das atenções na disputa eleitoral após denúncia de campanha irregular anti-PT

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a disseminação de fake news no WhatsApp contra os candidatos à Presidência Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

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A medida atende a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e foi confirmada neste sábado (20) pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. De acordo com ele, a investigação da Polícia Federal terá como foco apurar criminalmente as responsabilidades pela disseminação de notícias falsas no aplicativo de mensagens.

A condução do inquérito ficará a cargo da Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF. As denúncias de irregularidades no uso do aplicativo de mensagens na esfera das eleições presidenciais já eram investigadas pela própria Procuradoria-Geral da República (PGR), mas se restringia apenas ao âmbito da legislação eleitoral.

Também no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por determinação do ministro Jorge Mussi, foi aberta uma investigação contra Jair Bolsonaro por suspeitas de uso de sistemas de envio de mensagens em massa na plataforma WhatsApp custeados por empresas que o apoiariam. O  pedido foi feito pela campanha do candidato Fernando Haddad (PT).

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Apesar de abrir a investigação contra o suposto caixa dois de Bolsonaro  , Mussi rejeitou pedido de medidas mais extremas como quebra de sigilo bancário, telefônico e de prisão dos supostos envolvidos, por entender que as justificativas estão baseadas em notícias de jornal e não podem ser decididas liminarmente.

Além disso, internamente no tribunal, informa a Folha de S.Paulo , os ministros comentam que não é o momento de interferir no curso do processo eleitoral. Mas que, se for o caso, depois das eleições, a chapa de Jair Bolsonaro pode ser cassada se surgirem comprovações de ilegalidades.  

O WhatsApp, rede social onde as notícias falsas têm proliferado nestas eleições, anunciou também que, somente na última semana, foram suspensas as contas de ao menos 100 mil usuários que teriam disseminado notícias falsas, spams (mensagens automáticas) e conteúdos que levam à desinformação. Uma das contas suspensas foi a de Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio de Janeiro e filho mais velho de Jair Bolsonaro.

Para Raquel Dodge, procuradora-geral da República, que foi quem pediu que a Polícia Federal atuasse no caso, as denúncias, se comprovadas, " “afrontam a integridade das eleições e exigem investigação com a utilização de um corpo pericial altamente gabaritado e equipamentos adequados para se identificar a autoria e materializar a ocorrência desse novo formato de crime”. 

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