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Presidente nacional do partido chamou o caso conhecido como 'caixa dois de Bolsonaro' de "fraude do processo eleitoral" e "boca de urna digital"

Para Gleisi Hoffmann, 'caixa dois de Bolsonaro' foi “uma boca de urna digital feita em grandes proporções
Reprodução/Twitter
Para Gleisi Hoffmann, 'caixa dois de Bolsonaro' foi “uma boca de urna digital feita em grandes proporções

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, reuniu-se nesta sexta-feira (19) com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, a quem pediu a aplicação de medidas cautelares urgentes para investigar notícias de que empresas em prol do presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, estariam pagando por serviços de disparos de mensagens em massa contra o partido e seu candidato à Presidência, Fernando Haddad, via WhatsApp, no chamado 'caixa dois de Bolsonaro' .

“Precisamos de uma atuação urgente quanto a isso, porque é verdadeiramente uma fraude do processo eleitoral”, disse Gleisi Hoffman sobre o ' caixa dois de Bolsonaro '. O encontro durou aproximadamente uma hora e 30 minutos na sede do TSE, em Brasília. Também participaram do encontro o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e representantes de PCdoB, Pros e PCB.

Para a presidente do PT, o que houve no primeiro turno foi “uma boca de urna digital feita em grandes proporções que mudou o resultado da eleição praticamente no dia da votação”. Ela acrescentou que acionará a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que acompanhem mais de perto a lisura do processo eleitoral brasileiro.

De acordo com a reportagem do jornal  Folha de S.Paulo , ao menos quatro empresas foram contratadas, a preços que chegam a R$ 12 milhões, para disparar mensagens para eleitores de bancos de dados do próprio candidato do PSL e também bancos externos – prática que é vedada pela Justiça Eleitoral.

Na quinta-feira (18), a coligação O Povo Feliz de Novo, que congrega PT, PCdoB e Pros em torno da candidatura de Fernando Haddad , recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a investigação. 

Os autores da ação distribuída ao corregedor-geral Eleitoral, ministro Jorge Mussi, alegam que há "fortes indícios" de que foram comprados pacotes de disparos em massa de mensagens contra o Partido dos Trabalhadores pelo WhatsApp.

Os advogados da coligação O Povo Feliz de Novo alegam que a prática pode configurar três crimes: doação de pessoa jurídica, utilização de perfis falsos para propaganda eleitoral e compra irregular de cadastros de usuários. "Isso demonstra nítida prática de abuso de poder econômico para causar desequilíbrio nas eleições", diz o PT , em nota.

"Salta aos olhos a postura completamente suspeita da candidatura de Bolsonaro que, ao invés de buscar qualquer espécie de impedimento da disseminação destas mentiras e boatos, principalmente junto ao WhatsApp , vai a público reclamar dos limites impostos pelo mencionado aplicativo de mensagens instantâneas que visam impedir a divulgação astronômica de desinformação", diz a peça levada ao TSE. O documento é assinado por um corpo de juristas encabeçado pelo advogado Eugênio José Guilherme de Aragão, ex-ministro da Justiça.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) já informou que vai apurar a suspeita de ' caixa dois de Bolsonaro '. Pelo menos dois pedidos de investigação foram protocolados na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). A expectativa é que outras representações sejam apresentadas diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).