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Coligação que apoia candidatura de Fernando Haddad (PT) quer apurar suspeita de abuso de poder econômico e uso indevido dos veículos e meios de comunicação digital por conta de campanha pró-Bolsonaro no WhatsApp

Candidato do PSL nega existência de 'caixa dois de Bolsonaro'; PT quer investigação e cobra WhatsApp
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Candidato do PSL nega existência de 'caixa dois de Bolsonaro'; PT quer investigação e cobra WhatsApp

A coligação O Povo Feliz de Novo, que congrega PT, PCdoB e Pros em torno da candidatura de Fernando Haddad, recorreu nesta quinta-feira (18) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a investigação do chamado 'caixa dois de Bolsonaro'. A ação trata de  campanha anti-PT no WhatsApp paga por empresários que apoiam o candidato Jair Bolsonaro (PSL), revelada em reportagem do jornal Folha de S.Paulo .

Os autores da ação distribuída ao corregedor-geral Eleitoral, ministro Jorge Mussi, alegam que há "fortes indícios" de que foram comprados pacotes de disparos em massa de mensagens contra o Partido dos Trabalhadores pelo WhatsApp no chamado ' caixa dois de Bolsonaro '.

De acordo com a reportagem da Folha , ao menos quatro empresas foram contratadas, a preços que chegam a R$ 12 milhões, para disparar mensagens para eleitores de bancos de dados do próprio candidato do PSL e também bancos externos – prática que é vedada pela Justiça Eleitoral.

Os advogados da coligação O Povo Feliz de Novo alegam que a prática pode configurar três crimes : doação de pessoa jurídica, utilização de perfis falsos para propaganda eleitoral e compra irregular de cadastros de usuários. "Isso demonstra nítida prática de abuso de poder econômico para causar desequilíbrio nas eleições", diz o PT, em nota.

"Salta aos olhos a postura completamente suspeita da candidatura de Bolsonaro que, ao invés de buscar qualquer espécie de impedimento da disseminação destas mentiras e boatos, principalmente junto ao WhatsApp, vai a público reclamar dos limites impostos pelo mencionado aplicativo de mensagens instantâneas que visam impedir a divulgação astronômica de desinformação", diz a peça levada ao TSE. O documento é assinado por um corpo de juristas encabeçado pelo advogado Eugênio José Guilherme de Aragão, ex-ministro da Justiça.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) já informou que vai apurar a suspeita de caixa 2 para a campanha de Bolsonaro. Pelo menos dois pedidos de investigação foram protocolados na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). A expectativa é que outras representações sejam apresentadas diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

PT quer quebra de sigilos para investigar 'caixa dois de Bolsonaro'

PT quer que TSE quebre sigilo de empresas que teriam atuado em suposto 'caixa dois de Bolsonaro'
Tânia Rêgo/Agência Brasil - 17.10.18
PT quer que TSE quebre sigilo de empresas que teriam atuado em suposto 'caixa dois de Bolsonaro'

A ação pede a busca e apreensão de documentos na sede da Havan, uma das empresas acusadas de pagarem campanhas pró-Bolsonaro no WhatsApp , e também requer a solicitação dos registros contábeis do dono da empresa, Luciano Hang.

Os advogados pedem também a quebra de sigilo bancário, financeiro e telemático de Hang e de quatro empresas que teriam colocado a suposta estratégia ilícita em prática. Por fim, ainda é requisitado que o próprio WhatsApp seja instado pela Justiça a apresentar plano de contingência.

Mais cedo, o próprio Bolsonaro refutou as acusações e garantiu que não tem relação com as irregularidades no processo eleitoral. "Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência", disse o candidato ao refutar a existência de um ' caixa dois de Bolsonaro ' ao site  O Antagonista .

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