O historiador americano David Duke, reconhecido líder do grupo racista Ku Klux Klan (KKK) nos Estados Unidos, elogiou o candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro (PSL) durante programa de rádio comandado por ele.
"Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista", disse o ex-líder do Ku Klux Klan , conforme reportado pela rede BBC . "Ele é totalmente um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco nos EUA, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França. E ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro", continuou Duke.
O comentário provocou reação do próprio candidato do PSL, que publicou mensagem horas mais depois, na tarde desta terça-feira (16), para se distanciar de eventual suporte de integrantes do KKK.
"Recuso qualquer tipo de apoio vindo de grupos supremacistas. Sugiro que, por coerência, apoiem o candidato da esquerda, que adora segregar a sociedade", escreveu Bolsonaro
em sua conta pessoal no Twitter, alfinetando seu adversário no segundo turno das eleições, Fernando Haddad (PT).
"Explorar isso para ingluenciar uma eleição no Brasil é uma grande burrice! É desconhecer o povo brasileiro, que é miscigenado", concluiu o candidato do PSL.
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Ku Klux Klan, Bolsonaro e o racismo
A ligação entre Bolsonaro e o racismo é recorrente entre os críticos do ex-capitão do Exército. O presidenciável chegou até mesmo a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto crime de racismo e de manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. A denúncia acabou rejeitada no mês passado pela maioria dos ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-capitão do Exército também já respondeu a inquérito que apurou crime de racismo em entrevista concedida por Bolsonaro à cantora Preta Gil em 2011 . Na ocasião, o então deputado disse que não discutiria "promiscuidade" ao ser questionado sobre como reagiria caso um de seus filhos namorasse uma mulher negra.
“Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”, afirmou. Posteriormente, Bolsonaro se defendeu dizendo que não havia entendido a pergunta direito.
O Ku Klux Klan
de David Duke é um grupo que defende a supremacia branca e atua nos Estados Unidos desde o século 19, sendo responsável por episódios de violência e até de tortura contra negros e judeus. Para esconder suas identidades, os integrantes do grupo vestem capuzes brancos, traje que se tornou tão conhecido quanto a própria atuação intolerante dos KKK.