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"Ele soa como nós", disse historiador americano ligado ao KKK ao se referir a Bolsonaro; candidato do PSL diz que grupos supremacistas devem apoiar o candidato da esquerda [Fernando Haddad], que "adora segregar a sociedade"

Líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro passou a fazer campanha só pelas redes sociais após sofrer ataque a faca
Fernando Frazão/Agência Brasil - 13.10.18
Líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro passou a fazer campanha só pelas redes sociais após sofrer ataque a faca

O historiador americano David Duke, reconhecido líder do grupo racista Ku Klux Klan (KKK) nos Estados Unidos, elogiou o  candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro (PSL) durante programa de rádio comandado por ele. 

"Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista", disse o ex-líder do  Ku Klux Klan , conforme reportado pela rede BBC . "Ele é totalmente um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco nos EUA, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França. E ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro", continuou Duke.

O comentário provocou reação do próprio candidato do PSL, que publicou mensagem horas mais depois, na tarde desta terça-feira (16), para se distanciar de eventual suporte de integrantes do KKK.

"Recuso qualquer tipo de apoio vindo de grupos supremacistas. Sugiro que, por coerência, apoiem o candidato da esquerda, que adora segregar a sociedade", escreveu Bolsonaro em sua conta pessoal no Twitter, alfinetando seu adversário no segundo turno das eleições, Fernando Haddad (PT).

"Explorar isso para ingluenciar uma eleição no Brasil é uma grande burrice! É desconhecer o povo brasileiro, que é miscigenado", concluiu o candidato do PSL.

Leia também: TSE proíbe que Bolsonaro e apoiadores usem 'kit gay' para atacar Haddad

Ku Klux Klan, Bolsonaro e o racismo

Organização racista Ku Klux Klan surgiu em 1865, nos Estados Unidos
Reprodução
Organização racista Ku Klux Klan surgiu em 1865, nos Estados Unidos

A ligação entre Bolsonaro e o racismo é recorrente entre os críticos do ex-capitão do Exército. O presidenciável chegou até mesmo a ser  denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR)  por suposto crime de racismo e de manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. A denúncia acabou rejeitada no mês passado pela maioria dos ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). 

O ex-capitão do Exército também já respondeu a inquérito que apurou crime de racismo em entrevista concedida por Bolsonaro à cantora Preta Gil em 2011 . Na ocasião, o então deputado disse que não discutiria "promiscuidade" ao ser questionado sobre como reagiria caso um de seus filhos namorasse uma mulher negra.

“Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”, afirmou. Posteriormente, Bolsonaro se defendeu dizendo que não havia entendido a pergunta direito.

O Ku Klux Klan  de David Duke é um grupo que defende a supremacia branca e atua nos Estados Unidos desde o século 19, sendo responsável por episódios de violência e até de tortura contra negros e judeus. Para esconder suas identidades, os integrantes do grupo vestem capuzes brancos, traje que se tornou tão conhecido quanto a própria atuação intolerante dos KKK.