Tamanho do texto

Se eleito, candidato do PSL terá o poder de indicar dois nomes para a Corte; ministros Celso de Mello e Marco Aurélio devem se aposentar antes de 2022

Jair Bolsonaro afirmou que gostaria de indicar alguém com o perfil do juiz Sergio Moro para o STF
Divulgação
Jair Bolsonaro afirmou que gostaria de indicar alguém com o perfil do juiz Sergio Moro para o STF

O candidato à Presidência  Jair Bolsonaro (PSL) revelou nesta terça-feira (16) que, em um eventual governo, pretende indicar para o Supremo Tribunal Federal (STF) alguém com o perfil do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância da Justiça. 

“O trabalho que o Moro fez tem de ser reconhecido por um governo sério”, afirmou Jair Bolsonaro em entrevista ao SBT quando questionado sobre qual seria o perfil dos juízes que viesse a indicar. Até o fim do mandato, o novo presidente da República poderá indicar substitutos para os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello - os dois se aposentam compulsoriamente em 2020 e 2021, respectivamente.

Em relação à Lava Jato, ele disse que a Polícia Federal tem de ter autonomia e mais recursos para trabalhar, mas que “aqueles pequenos senões de alguma politização da PF têm de deixar de existir”.

O candidato do PSL voltou a dizer que pretende governar com 15 ministros. Três já são conhecidos: Paulo Guedes, para Economia; Onyx Lorenzoni, na Casa Civil; e o general Augusto Heleno, na Defesa. E não descartou a participação de mais militares em outras pastas, citando o tenente-coronel da Aeronáutica e astronauta Marcos Pontes, cotado para a Ciência e Tecnologia.

“Temos nomes que vão surpreender a sociedade positivamente, com toda a certeza”, disse. No fim da entrevista, ele negou os "rótulos" que são atribuídos a ele. "Não sou nada disso", afirmou. 

Sobre seus planos para a área da economia, o candidato disse ainda que não haverá  “cavalo de pau” na economia no primeiro ano de seu governo, caso seja eleito. A declaração foi dada ao ser indagado sobre o que fará para diminuir o número de cerca de 13 milhões de desempregados no país. “Não tem resposta imediata. Nós temos de facilitar a vida de quem produz para [que possa] dar emprego”, avaliou o candidato.

Leia também: TSE pede investigação de mensagem que ameaça Rosa Weber e questiona urnas

Bolsonaro considera a carga tributária muito alta tanto para pobres, como para ricos e descartou o aumento de impostos. “Se você aumentar a carga tributária por aqui - como a França fez no governo anterior e o capital foi para a Rússia -, o capital vai fugir daqui”, comparou.

Ainda no campo da economia , Bolsonaro afirmou que o Banco Central terá autonomia para gerir a taxa de juros e que o câmbio permanecerá flutuante. Bolsonaro, mais uma vez, descartou a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer.

“Não podemos penalizar que tem direito adquirido. O próprio servidor público já sofreu com duas reformas previdenciárias”, disse, acrescentando que não vê possibilidade de igualar a reforma da Previdência dos militares. “Nós não temos fundo de garantia, direito à greve, hora extra e nem repouso remunerado. A bem da verdade o militar trabalha 45 anos”, completou.

Leia também: Bolsonaro diz que vai extraditar terrorista e assassino condenado na Itália

No âmbito de cortes de gastos, Jair Bolsonaro reafirmou que pretende privatizar, de imediato "50 estatais criadas pelo PT", mas voltou a dizer que não pretende vender as empresas nacionais que considera estratégicas.