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Relatos de ataques e desrespeito a direitos em função de posição política tem se espalhado pelo país desde o fim do primeiro turno das eleições

Radicalização tem gerado violações por divergência política no país; no interior do Rio (foto), igreja é pichada com inscrição nazista
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Radicalização tem gerado violações por divergência política no país; no interior do Rio (foto), igreja é pichada com inscrição nazista

Apenas nas duas primeiras semanas deste mês, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos já recebeu 38 denúncias relacionadas a violações de direitos envolvendo divergências políticas associadas às eleições presidenciais. De acordo com a assessoria do ministério, as denúncias serão encaminhadas aos órgãos responsáveis.

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Se analisadas separadamente, as denúncias podem ser agrupadas em 88 violações registradas por situações específicas, como violências física, institucional e psicológica, discriminação, negligência e outras agressões. Todas em virtude de divergências políticas .

Um dos casos aconteceu no dia 9 de outubro, quando um universitário de 27 anos foi agredido a golpes de garrafa e chutes por supostos apoiadores do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), nas proximidades da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), região central de Curitiba.

Já no domingo, dia do primeiro turno das eleições, um mestre de capoeira foi morto, na Bahia, por um homem que disse à polícia ser apoiador de Bolsonaro , após uma discussão política. Perguntado sobre o episódio, o candidato disse que lamenta o fato. "Peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam", disse.

Para o ministro dos Direitos Humanos , Gustavo Rocha, todos devem ser respeitados, independentemente de suas ideologias e posições políticas. “A pauta de direitos humanos não tem dono, não é de direita nem de esquerda, é de todos. Tenho confiança que, independentemente do resultado, vamos avançar.”

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A ouvidora Nacional dos Direitos Humanos, Larissa Rêgo, disse que em cada registro de denúncia “é possível constatar diferentes cenários” envolvendo distintas vítimas e violações. “Cada denúncia pode ter mais de um tipo de violação, conforme dados disponibilizados, e cada tipo de violação pode envolver mais de uma, resultando assim em um número de violações maior que o número de denúncias.”

Para denunciar basta discar 100 - Disque Direitos Humanos e o Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher, ambos de utilidade pública e com funcionamento 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados.

No Disque 100, as ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular).

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No caso do Disque 180, o canal funciona no Brasil e em outros 16 países onde denúncias de violação de direitos por divergências políticas podem ser feitas: Argentina, Bélgica, Espanha, EUA (São Francisco e Boston), França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela. O serviço também é oferecido por e-mail (ligue180@mdh.gov.br), aplicativo Proteja Brasil e Ouvidoria On-line.

* Com informações da Agência Brasil