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O agressor, que afirmou ser eleitor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), foi preso em flagrante; Moa do Katende foi esfaqueado pelas costas

Renomado na Bahia, Moa do Katende, mestre de capoeira, é assassinado por apoiador de Bolsonaro após discussão política
Reprodução
Renomado na Bahia, Moa do Katende, mestre de capoeira, é assassinado por apoiador de Bolsonaro após discussão política

Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido entre os capoeiristas baianos como Moa do Katende, foi morto na madrugada desta segunda-feira (8) em um bar na região central de Salvador, após declarar que votou em Fernando Haddad (PT) para presidente da República. Renomado na cidade, o mestre de capoeira é assassinado em meio à radicalização política que tomou as eleições de 2018.

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Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36, foi preso em flagrante pela morte de Moa do Katende. Ele afirmou aos policiais ser eleitor do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), que sai na frente na disputa pelo segundo turno. Ele admtiu também que o motivo da agressão foi uma discussão política. Atingido pelas costas, o mestre de capoeira é assassinado com 12 facadas, em um crime que aconteceu por volta das 2h da manhã.

De acordo com o jornal Extra , Paulo e Moa não se conheciam antes da discussão. "O autor de um homicídio, na madrugada desta segunda-feira (8), em Salvador, contra um mestre de capoeira, alegou discussão política como motivação do crime", afirmou, por meio de nota, a polícia da cidade.

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Eleitor de Bolsonaro , Paulo já havia se envolvido em discussões políticas que terminaram na delegacia em outras duas oportunidades, em 2009 e 2014. À polícia, se disse arrependido do crime.

"O criminoso fez duas vítimas a facadas, um homem de 63 que não resistiu aos ferimentos e morreu no local e outro, de 51 anos, atingido no braço e socorrido por populares para o Hospital Geral do Estado (HGE)", informou a polícia. O outro homem ferido na briga é Germínio Pereira, primo de Moa do Katende . Ele precisou passar por uma cirurgia, mas se recupera do ferimento.

"Meu pai estava num barzinho quando começou essa discussão política. O rapaz saiu, mas depois voltou e esfaqueou meu pai", contou ao jornal Extra Jasse Mahi, 27 anos, filha do capoeirista. "Ele era um pai maravilhoso. Todo mundo ama meu pai, ele não tem inimigo", lamenta.

O crime já gera comoção nas redes sociais. Moa do Katende era conhecido na região como um dos principais capoeiristas. O mestre de capoeira é assassinado em meio à naturalização da violência no discurso político brasileiro.

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