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Após dia de descanso ao final do 1º turno, cinco partidos se reúnem hoje e devem definir quem apoiarão no 2º turno entre Bolsonaro e Haddad. Confira

Partidos se reúnem em Brasília para definir alianças no 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)
Agência Brasil/Tânia Regô e Marcelo Camargo
Partidos se reúnem em Brasília para definir alianças no 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)

Após breve descanso de um dia com o fim do 1º turno das eleições, pelos menos cinco partidos políticos devem se reunir nesta terça-feira (9) para definir as alianças no 2º turno das eleições presidenciais entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). A expectativa é de que PSB, PSDB, Rede, DC e PPL anunciem ainda hoje, em Brasília, suas decisões.

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Informalmente, alguns líderes políticos já sinalizaram como atuarão nesta reta final e com quem farão alianças no 2º turno . O comando do PDT, por exemplo, do candidato Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, indicou que deve assumir um "apoio crítico" à candidatura de Haddad desde que o candidato do PT assuma compromisso em incluir algumas das propostas do pedetista no plano de governo, sobretudo a proposta de "limpar o nome" de mais de 60 milhões de brasileiros que estão no cadastro negativo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O PSB deve ser outro partido a anunciar apoio formal ao candidato do PT . As correntes mais fortes dentro do partido tinham a intenção de apoiar a candidatura de Ciro Gomes no 1º turno, mas após um acordo o ex-presidente Lula que envolveu a retirada da pré-candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco, o partido declarou neutralidade. Agora, porém, o próprio governador reeleito Paulo Câmara (PSB) já sinalizou que o partido deve ficar ao lado do Partido dos Trabalhadores.

O caso do PSDB, por sua vez, é um pouco mais complexo. Sofrendo com uma redução nos seus quadros e tendo sido um partido que mais encolheu suas bancadas na Câmara e no Senado, o partido também sofreu um grande derrota nas eleições presidencias. O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, teve o pior desempenho para um tucano na corrida presidencial desde a eleição no 1º turno de Fernando Henrique Cardoso em 1994. Desde então, o partido ou ganhou ou disputou como cabeça de chapa o 2º turno. Ter de tomar a decisão de apoiar um outro candidato na disputa é, portanto, algo praticamente inédito para o partido.

E dado o cenário polarizado, o partido que fez questão de se posicionar como uma opção de centro no 1º turno deverá passar por uma divisão interna, segundo analistas políticos. Enquanto as novas lideranças do partido e os principais candidatos a governador do partido que ainda disputam um 2º turno como João Dória, em São Paulo, Antonio Anastasia, em Minas Gerais, e Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, tendem a apoiar Jair Bolsonaro de olho na popularidade do candidato do PSL, lideranças mais antigas do partido como o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso temem um golpe na democracia por parte de Bolsonaro e defendem, se não um apoio a Haddad, a neutralidade do partido.

De qualquer forma, ainda que ocorra uma decisão fechada em torno de um dos nomes da disputa presidencial, a tendência é que haja um racha no partido. Por enquanto, a única sinalização de movimento veio da candidata a vice na chapa de Alckmin, Ana Amélia, que faz parte do PP e afirmou que apoiará Bolsonaro.

Nas redes sociais, o candidato do PPL à Presidência, João Goulart Filho chegou a fazer elogios a Ciro Gomes e criticou Bolsonaro por diversas vezes, mas ainda não se posicionou oficialmente a respeito de apoios no 2º turno. Ele terminou a eleição com apenas 0,03% dos votos válido (30.176) e foi o menos votado entre os 13 candidatos à Presidência da República nas eleições 2018.

Não muito distante dele, a candidata da Rede, Marina Silva, fez severas críticas aos dois candidatos que disputarão o 2º turno durante a campanha presidencial e apesar de ter atingido apenas 1% dos votos válidos nessa eleição (1.069.575) é considera uma importante aliada já que, em eleições anteriores, chegou a obter 20 milhões de votos. Vale dizer que Marina já foi filiada ao PT e chegou a ser, inclusive, ministra do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Lula, mas deixou o partido em 2009 por conta das denúncias de corrupção que começaram a atingir o partido.

Outro partido que pode se posicionar em breve é o Partido Novo, do ex-candidato à Presidência João Amoêdo. Debutando na disputa presidencial, Amoêdo obteve 2,5% dos votos válidos (2.679.728) e ficou em quinto lugar, o que foi considerado um excelente desempenho.

No entanto, o maior destaque do partido acabou ficando para o candidato a governador de Minas Gerais, Romeu Zuma, que ao declarar apoio a Jair Bolsonaro ainda no 1º turno disparou na disputa eleitoral, saiu do terceiro lugar nas pesquisas para o primeiro nas urnas e se tornou o favorito na disputa contra o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

Na véspera, o PSOL do candidato à Presidência Guilherme Boulos já anunciou o apoio à Haddad . Em nota, o partido apontou que a adesão à chapa do PT se dá em nome da “democracia no sentido mais amplo, que envolve a defesa dos direitos sociais, do Estado democrático de direito e o respeito às instituições que foram construídas na Constituição Federal de 1988”. O PSOL anuncia apoio a Haddad e diz, ainda, que participará ativamente da militância em nome do candidato.

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Reuniões devem decidir alianças no 2º turno nos próximos dias

11 candidatos derrotados à Presidência devem definir alianças no 2º turno nos próximos dias
Ricardo Stuckert
11 candidatos derrotados à Presidência devem definir alianças no 2º turno nos próximos dias

Do outro lado, os candidatos à presidência assumem posturas distintas em relação ao apoio dos demais partidos. Enquanto Jair Bolsonaro, que obteve 46% dos votos no 1º turno, aguarda alianças no 2º turno espontâneas, Fernando Haddad, que obteve 29% e precisa virar o jogo, faz um grande movimento para conseguir adesões e ampliar o seu apoio. Por isso, o PT espera com ansiedade resultados como o da Comissão Executiva Nacional do PSB que se reúne às 14h30, na sede do partido, em Brasília.

Já a reunião da executiva nacional do PSDB deve ocorrer às 15h, também na capital federal. O PPL também se reunirá em Brasília, mas ainda não anunciou o horário. A expectativa é de que a Rede e o DC, do candidato à presidência Eymael, também anunciem hoje seus apoios ou a neutralidade.

Enquanto isso, o MDB, presidido pelo senador Romero Jucá (MDB-RR) que perdeu a reeleição, deve se reunir amanhã (10) na capital federal. O PSTU, da ex-candidata à Presidência Vera Lúcia, por sua vez, marcou apenas para quinta-feira (11) seu anúncio de apoio.

O Podemos, que lançou Alvaro Dias, o Partido Novo, de João Amoêdo, e o PV, que lançou Eduardo Jorge, vice de Marina Silva, ainda não marcaram reuniões para decidir sobre o tema.

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Aguardando pelas alianças no 2º turno , Bolsonaro afirmou que pretende se reunir com o economista Paulo Guedes, apontado como seu eventual ministro da Fazenda. O candidato deverá permanecer em casa, no Rio de Janeiro. Amanhã (10), ele será examinado por uma junta médica para poder definir sua agenda de campanha. Enquanto isso, Haddad terá encontros hoje com governadores do PT e correligionários, em São Paulo. O candidato ainda não anunciou como será a agenda de campanha até o segundo turno.

*Com informações da Agência Brasil