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Dos nove senadores citados na operação que tentaram a reeleição neste ano, apenas três conseguiram a vaga; cinco citados vão disputar pelo 2º turno

Ao menos 46 alvos da Lava Jato não foram eleitos nessas eleições; eleitores se pautaram nas investigações ao escolher
iG Arte/Agência Brasil
Ao menos 46 alvos da Lava Jato não foram eleitos nessas eleições; eleitores se pautaram nas investigações ao escolher

As eleições de 2018 adotaram um caráter diferente das anteriores. Isso porque – pautados pelos escândalos de corrupção que o País protagonizou nos últimos anos – muitos eleitores foram às urnas determinados a não elegerem candidatos que tiveram seus nomes envolvidos em denúncias. Com isso, 46 dos alvos da Lava Jato acabaram derrotados nas eleições deste domingo (8). 

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Com imagens desgastadas por menções nas investigações, candidatos à Câmara e ao Senado ficaram de fora da lista dos eleitos. Entre os 46 alvos Lava Jato que concorreram e foram derrotados, há nomes de primeira grandeza da política nacional, como o da ex-presidente Dilma Rousseff – que foi denunciada duas vezes pela Procuradoria-Geral da República.

Além da ex-presidente, o ex-governador do Paraná Beto Richa também foi derrotado pelos eleitores, que não perdoaram a sua prisão ainda durante a campanha. Richa concorria a uma vaga no Senado, mas amargou um sexto lugar, com menos de 4% dos votos válidos (377.834 votos).

Outra derrota significativa foi a do atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que não conseguiu se reeleger. Tanto ele quanto Romero Jucá (MDB-RR) ficaram em terceiro nas votações dos seus respectivos estados, ambos com menos de 0,5% de diferença dos que conquistaram a segunda vaga. Os dois tiveram seus nomes citados em investigações

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Dos nove senadores citados na Lava Jato que tentaram a reeleição neste ano, apenas três conseguiram a vaga: Ciro Nogueira (PP-PI) e Humberto Costa (PT-PE) e Renan Calheiros (MDB-AL). Além de Eunício e Jucá, Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Edison Lobão (MDB-MA) também perderam a vaga, conquistando a quarta posição em seus estados. Valdir Raupp (MDB-RO) ficou em sexto.

Além destes, outros três citados na Lava Jato decidiram se candidatar à Câmara. São eles Aécio Neves (PSDB-MG), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e José Agripino Maia (DEM-RN). Apenas o último não se elegeu. 

Alvos da Lava Jato perdem foro especial

Entre os candidatos das eleições 2018, estavam ao menos 18 réus (em ações penais, cíveis ou eleitorais), 12 alvos de acusações já concluídas no Ministério Público (denúncias apresentadas ou ações de improbidade) e outros 57 com investigações em andamento com relação à operação iniciada no Paraná. 

Apesar de 46 deles terem sido derrotados nas urnas, 36 foram eleitos. Os outros cinco alvos da operação ainda vão disputar pelo segundo turno. 

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Agora, com o novo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o foro especial, parte das investigações e processos envolvendo esses políticos alvos da Lava Jato que foram derrotados nas urnas será enviada a instâncias inferiores da Justiça nos estados.