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Candidato a deputado federal, ex-presidente da Alesp denuncia que houve coação a testemunhas do caso e se diz vítima de "fogo amigo" no PSDB – que também atrapalha a candidatura de Geraldo Alckmin, em sua avaliação

Fernando Capez foi presidente da Alesp e hoje concorre ao cargo de deputado federal pelo PSDB
Divulgação
Fernando Capez foi presidente da Alesp e hoje concorre ao cargo de deputado federal pelo PSDB

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e atual candidato a deputado federal pelo Estado, Fernando Capez (PSDB), classificou como "fraude" e como um caso de "estelionato contra a sociedade" as investigações acerca da chamada 'máfia da merenda'. O caso chegou a render ação penal que, em junho, foi  encerrada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sob o entendimento de que não havia "justa causa".

Em entrevista, Fernando Capez  foi enfático ao elencar fatos que rebatem a acusação do procurador-geral do Estado, Gianpaolo Poggio Smanio, que atribuiu a ele supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O candidato também apresentou gravações e documentos que, segundo ele, provam que testemunhas foram coagidas a citarem seu nome em depoimentos tomados no porão de uma delegacia.

"A Operação Alba Branca foi, na verdade, uma fraude", protestou Capez, acrescentando que a competência para investigar os fatos seria da Polícia Federal, já que os recursos supostamente desviados partiram da União. "Foi um estelionato contra a sociedade. Os delegados e o promotor agiram como impostores e deram direcionamento político à investigação", continuou o ex-deputado estadual.

Segundo o tucano, há provas de que delegados e um promotor que atuam no município de Bebedouro, onde nasceu a investigação sobre a máfia da merenda , "ameaçaram" manter presos e até mesmo cogitaram perseguir familiares de testemunhas para que elas citassem seu nome. Em troca dessa prática, os servidores teriam recebido promessa de promoção, conforme denunciou Capez.

Em depoimento prestado na Assembleia Legislativa, uma testemunha narrou que ouviu o seguinte ao ser interrogado por um dos responsáveis pelo caso: "[...] a corda vai estourar para o lado mais fraco. Quero que você cite os nomes dos grandões, ou seja, nome de políticos. Você sabe de quem nós estamos falando. [...] Você tem filhos. Se quer dormir na sua casa com seus filhos, fale o que a gente quer ouvir". 

O candidato a deputado federal explicou que seu nome surgiu na  Operação Alba Branca porque um ex-assessor que já não trabalhava mais em sua equipe contatou pessoas ligadas à Coaf, cooperativa que forneceu suco de laranja para a merenda escolar. O nome desse ex-assessor "criou um link entre aquilo que estava se investigando e a possibilidade de envolver o meu nome", explicou o tucano.

Leia também: Empresários, advogados e 'políticos de carreira' dominam candidaturas em 2018

Fernando Capez lamenta "fogo amigo" no PSDB 

Fernando Capez foi presidente da Alesp e hoje concorre ao cargo de deputado federal pelo PSDB
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Fernando Capez foi presidente da Alesp e hoje concorre ao cargo de deputado federal pelo PSDB

Capez atribuiu a dita 'perseguição' a uma tentativa de impedir que ele viesse a se candidatar ao Governo do Estado de São Paulo neste ano, uma vez que seu nome estava em destaque já que foi o deputado estadual com maior número de votos em 2014 e vinha recebendo elogios por sua atuação na presidência da Alesp . Essa força contrária, segundo conta, nasceu dentro de seu próprio partido.

"Era natural que o meu nome fosse ventilado para o Governo do Estado. E isso foi anunciado prematuramente, no fim de 2015, no dia em que foi lançada a pré-candidatura do João Doria [para a Prefeitura de SP]. Isso aguçou o mundo político e provocou reação, em primeiro lugar, no PSDB. A primeira reação que houve foi de fogo amigo", lamentou.

O mesmo "fogo amigo" dentro do ninho tucano, segundo avaliou, foi também prejudicial à campanha do presidenciável Geraldo Alckmin – que chega a dois dias das eleições com  apenas 8% das intenções de voto na disputa para o Planalto.

"Falta ao PSDB um projeto coletivo. Existem muitos projetos individuais, o que tem atrapalhado o partido, como atrapalhou nessa eleição para presidente", disse. "Aos poucos, o PSDB foi se tornando um partido para projetos pessoais de grandes políticos. É preciso acabar com isso e definitivamente sepultar a maldição do fogo amigo que só serve para afastar novos valores e prejudicar o próprio partido."

Ainda sobre a disputa eleitoral de domingo, Capez reconheceu que o cenário para quem for eleito para o Congresso não deve ser favorável. Diante disso, ele propôs lançar um "pacto suprapartidário pela governabilidade". "Isso para qualquer um que seja o presidente", garantiu.

O candidato explicou que no âmbito desse pacto devem estar previstos esforços para garantir segurança jurídica, reduzir o tamanho do Estado e modernizar a legislação criminal.

Fernando Capez se diz hoje recuperado de qualquer 'trauma' causado pelas acusações sobre a chamada máfia da merenda, mas ainda lamenta suas consequências. "Eu consegui recompor a verdade a tempo de retornar à minha candidatura, mas não a tempo de disputar o Governo do Estado. Houve um enorme prejuízo a mim e à minha família, que sofreu por conta dessa investigação criminosa. Estou disputando muito bem, mas gostaria de estar disputando para governador. Era o meu momento", lamentou o candidato – que, aos risos, preferiu desconversar ao ser questionado se pretende vir a tentar se candidatar ao Palácio dos Bandeirantes.