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Corrida eleitoral tem 961 candidatos militares em 2018; maioria é do PSL, partido de Jair Bolsonaro, seguido pelo Patriota, do candidato Cabo Daciolo

 Militares são a quarta profissão que mais concorre a cargos políticos no país. No total, são 961 candidatos militares
Divulgação/Jair Bolsonaro
Militares são a quarta profissão que mais concorre a cargos políticos no país. No total, são 961 candidatos militares


Os eleitores que vão às urnas em todo o País no próximo domingo (7) terão como opção de voto 961 candidatos militares, que disputam desde uma vaga na Assembleia Legislativa até a cadeira da Presidência da República. Quatro anos atrás, o contingente de militares pedindo voto era de 765 candidatos, número 25,6% menor que o atual. O cargo mais pleiteado por esses candidatos é o de deputado estadual, para o qual concorrem 313 militares em todo o território nacional.

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De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dentre os candidatos militares , 575 são policiais, 202 são das Forças Armadas, 96 são do Corpo de Bombeiros e 88 estão na reserva militar. O grupo atrai o eleitorado com propostas relacionadas à lei e à ordem, como a segurança pública e o combate a corrupção, que fortalecem suas candidaturas. 

Na lista de concorrentes estão os candidatos à Presidência Cabo Daciolo (Patriota), do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, e Jair Bolsonaro (PSL), capitão da reserva do Exército. O atual partido do candidato, o PSL, tem 135 candidatos com graduações militares, o maior número dentre todas as legendas. O segundo colocado é o Patriota, com 37. 

Os militares são a quarta profissão que mais concorre a cargos políticos no País, perdendo somente para advogados (1.735), empresários (2.816) e o grupo "outros", que totaliza 5.174 candidaturas. Os partidos de esquerda são os que têm menos militares em 2018, com apenas um postulante no PSOL e outro no PCB.  

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Candidatos militares dominam comissão de segurança na Câmara

Na Câmara, maioria dos integrantes de comissão de segurança foram candidatos militares
Reprodução/Senado
Na Câmara, maioria dos integrantes de comissão de segurança foram candidatos militares

Segundo relatório do Instituto Sou da Paz, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados analisa majoritariamente projetos de polícia (corporativismo). Como observado em 2016, projetos de lei que tratam de pautas policiais foram as mais significativas entre aquelas analisadas pela comissão em 2017.

Dentre os deputados que integram o colegiado, um terço foram policiais ou militares das Forças Armadas antes de exercerem o cargo eletivo. A maioria dos deputados federais eleitos em 2014 (19) com origem em carreiras policiais tinha acento na comissão em 2017 (11).

As regras para a filiação de militares a partidos é diferente da dos civis. Pessoas com mais de 10 anos de serviço e que não tenham cargo no alto comando da corporação só podem se filiar se forem escolhidos em convenção partidária. A partir daí, passa para momentaneamente inativo e, se eleito, passa para a inatividade. Em ambas as situações, o militar não precisa respeitar a regra em que deve se filiar seis meses antes do pleito. 

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Para o cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília, apesar de não ter ocorrido um crescimento expressivo, há um desejo do eleitorado de resolver problemas do seu cotidiano e que, por vezes, estão entre as habilidades dos candidatos militares . “Há uma sensação de medo no País todo. Até em locais onde a incidência oficial de crimes é relativamente baixa, o medo é alto, então esse tema favorece muito a uma retórica de combate ao crime e, nesse sentido, os militares em geral são favorecidos”, avaliou Rennó.

*Com informações da Agência Brasil