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Para general que assessora a campanha de Jair Bolsonaro (PSL), “livros que não tragam a verdade sobre 64 precisam ser eliminados”

General que assessora Bolsonaro defendeu que livros que tratem do golpe de 1964 devem ser banido das escolas
Reprodução/ Jovem Pan
General que assessora Bolsonaro defendeu que livros que tratem do golpe de 1964 devem ser banido das escolas

Aléssio Ribeira Souto, general da reserva das Forças Armadas e assessor da campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), defendeu, em entrevista ao portal Uol , que livros que tratem do golpe militar de 1964 sejam censurados. Para o general que assessora Bolsonaro, “Os livros que não trazem a verdade sobre o regime de 1964 têm que ser eliminados”.

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Para Aléssio, “a verdade” sobre “o regime de 1964” consiste em que o que ocorreu ali foi não um golpe, mas a ascensão dos militares democraticamente eleitos ao poder. Em defesa de sua tese, o general que assessora Bolsonaro afirma que foi o Congresso Nacional que empossou os militares.

O assessor de Bolsonaro desconsiderou, em sua análise, que o movimento se deu sob a ameaça de tanques e tropas, que se deslocaram de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro para Brasília. Uma farta documentação, bem como um consenso entre os historiadores, dão conta das movimentações em favor do golpe por parte das Forças Armadas em 1964.

A suposta “ameaça comunista” alegada pela ditadura para a tomada de poder, por fim, já foi desmentida em diversos estudos, depoimentos e documentações oficiais do próprio Exército.

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O general defendeu, também, a eliminação do Estatuto da Criança e do Adolescente. “Você admitir que o ECA proteja bandido... quem agride o professor é bandido. Se for para proteger bandido, eu sou contra o ECA. E a equipe [de Bolsonaro] é unânime em asseverar que, se você tem uma legislação que proteja bandido, é preciso eliminar essa legislação”, disse.

Direto nas demais respostas, Aléssio se esquivou de uma questão sobre as cotas nas universidades para alunos negros, pobres e oriundos de escolas públicas.

“Existe uma lei aprovada pelo Congresso Nacional e um decreto que regulamenta o assunto, e isso joga a questão para o campo político. Só tem uma saída, que é o presidente eleito assumir e tratar da questão junto às grandes lideranças nacionais. Nem adianta a equipe e seus integrantes terem um posicionamento. Eu me reservo, por uma questão de lealdade, o direito de não opinar sobre ao assunto. E o nosso grupo não pretende levar este assunto à equipe de transição”, tegiversou o general que assessora Bolsonaro .

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