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Delegado que investiga o atentado afirmou em entrevista que Adelio Bispo agiu sem a ajuda de terceiros; esfaqueador está em presídio federal

Adélio Bispo, agressor de Bolsonaro, durante sua audiência de custódia
Reprodução
Adélio Bispo, agressor de Bolsonaro, durante sua audiência de custódia

Para o delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais, responsável pela investigação do atentado à a vida do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Adélio Bispo agiu sem a ajuda de terceiros no dia 6 de setembro, quando esfaqueou o candidato. A PF também não encontrou qualquer indício, disse o delegado, de que o agressor de Bolsonaro tenha sido motivado por alguma agremiação política.

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"Em relação à execução do crime propriamente dito, na data do atentado, o indiciado que agora se encontra preso, nós estamos convictos que ele não contou com a colaboração de ninguém", disse, à TV Globo, o delegado. Ele acrescentou, ainda, que o agressor de Bolsonaro planejou o ataque por conta própria.

"Nós analisamos diversas imagens, outros dados, elementos colhidos que refutam a participação de terceiros na execução do atentado em si ali, seja tentando em meio à multidão dar acesso a ele, facilitar o acesso a ele ao candidato. Seja antes mesmo do evento ali, em Juiz de Fora, tentando convencê-lo ou incentivando a praticar o crime", concluiu o delegado.

Os advogados que representam o agressor Adélio Bispo de Oliveira também sustentam que a agressão de seu cliente ao candidato Jair Bolsonaro foi um ato solitário, movido pelo que classificaram de “discurso de ódio” do próprio candidato.

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“Esse discurso de ódio de Bolsonaro é que desencadeou essa atitude extremada do nosso cliente”, disse o advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior. Um dos motivos, segundo a defesa, foi a referência pejorativa aos negros quilombolas, já que seu cliente se identifica como negro.

Raul Jungmann , ministro da Segurança Pública, também já havia dito que as informações disponíveis dão conta de que Bispo teria agido sozinho como um "lobo solitário".

Obcecado pela maçonaria, a quem acusa, em sua página nas redes sociais da internet, de promover a pauta de direitos LGBTs, perseguir o número 13 e “enlouquecer” as pessoas, Adelio confessou o crime e foi preso em flagrante antes de ser linchado pela multidão que acompanhava o candidato presidencial.

Os advogados do agressor de Bolsonaro alegam, ainda, que o cliente sofre de desequilíbrios psíquicos. Exames psicológicos já foram requisitados pela defesa.

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