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Em sua página nas redes sociais, homem que esfaqueou Bolsonaro acusa maçonaria de “enlouquecer” a população e pautar direitos LGBTs, critica o candidato do PSL e defende comunismo de ataques dos "iluminatis"

Polícia Militar de Minas Gerais identificou o homem que esfaqueou Bolsonaro, Adelio Bispo de Oliveira
DIVULGAÇÃO/ POLÍCIA MILITAR
Polícia Militar de Minas Gerais identificou o homem que esfaqueou Bolsonaro, Adelio Bispo de Oliveira

Adelio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Bolsonaro (PSL) em sua caminhada com apoiadores pelas ruas de Juiz de Fora, Minas Gerais, na tarde desta quinta-feira (6), é obcecado pela maçonaria, a quem acusa, em sua página nas redes sociais da internet, de promover a pauta de direitos LGBTs, perseguir o número 13 e “enlouquecer” as pessoas. 

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Postagens sobre a maçonaria e críticas a Jair Bolsonaro tomam a integridade da página no Facebook do homem que esfaqueou Bolsonaro , onde ele também defende a implantação do comunismo no Brasil. Adelio Bispo, 40 anos, é natural de Montes Claros, Minas Gerais. Ele confessou o crime e foi preso em flagrante enquanto era linchado pela multidão que acompanhava o candidato presidencial, informou a Polícia Militar. 

Veja abaixo o momento do ataque ao candidato:




Revoltado e aparentando confusão mental em sua página no Facebook, Adelio Bispo é partidário, entre outras teorias da conspiração, de que a maçonaria e os iluminati -  suposto grupo da elite conservadora da Igreja Católica - perseguem o número "13" e ajudam a promover os direitos LGBTs, aos quais se diz contrário.

Os próprios policiais federais que apreenderam Adelio afirmaram "duvidar" de sua integridade psicológica. No momento que foi preso, ele teria dito, de acordo com a revista piauí , que agia "por ordem de Deus". Ainda de acordo com a PF, o mais provável é que Adelio tenha agido sozinho.

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Em uma de suas postagens, ele ironiza Alexandre Frota, partidário de Bolsonaro, por sua participação em filmes pornográficos homoeróticos. Em outro momento, escreveu que os maçons, por meio de diversos estratagemas ("som alto para te perturbar", "problemas no trânsito", "depredações de seu patrimônio" e "escutas telefônicas"), buscam enlouquecer a população.

Bispo também postou fotos em um protesto contra o presidente Michel Temer (MDB), posando ao lado de um cartaz que diz "Políticos inúteis". Ele elogia, em outro ponto, o político Enéas Carneiro, que disputou diversas eleições presidenciais sob o famoso bordão "meu nome é Enéas!", morto em 2007. Em outro post , demonstra simpatia, ainda, pelo candidato presidencial Cabo Daciolo (Patriota), que também discursa contra a maçonaria e os " iluminati ".

As postagens, contudo, evidenciam que o esfaqueador não possui clareza sobre sua própria filiação ideológica - muito embora haja registro de que ele tenha sido filiado, entre 2007 e 2014, ao PSOL de Uberaba, de acordo com o TSE e o número de CPF do candidato divulgado nas redes sociais. 

Grande parte de suas manifestações nas redes sociais são no sentido de "defender" o comunismo de supostos ataques da maçonaria . Ele chega a sugerir, inclusive, que os maçons estariam por trás dos ataques às torres gêmeas em 11 de setembro de 2011 - ataque que, de acordo com Bispo, foram "previstos" em mensagens subliminares desenhos animados como "Tom & Jerry".

Minutos após a divulgação do nome do homem que esfaqueou Bolsonaro , sua página nas redes sociais recebeu milhares de comentários de apoiadores do candidato ferido, onde o clima é de acirramento da violência. "Pau no lombo da imundícei vermelha", diz um internauta; "Vc [sic] é um criminoso safado vagabundo esquerdista [sic]", dizem alguns dos muitos comentários. Ao fim desta tarde, a página do esfaqueador foi deletada das redes sociais.

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