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Dos 13 candidatos à presidência da República eleições 2018, 6 estiveram no debate deste domingo (9)

Mesmo ausentes, o ex-presidente Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foram diversas vezes lembrados no encontro dos candidatos a presidência da República deste domingo (9). Foi um debate morno, em que os presidenciáveis evitaram elevar o tom, sempre reforçando – em função do atentado de que foi vítima Bolsonaro -, a necessidade de “pacificar” o debate político.

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Realizado pela TV Gazeta, o Estado de S. Paulo e a rádio Jovem Pan, esse foi o terceiro debate entre os candidatos a presidência da República nas eleições 2018.

Estiveram presentes Ciro Gomes (PDT), líder de menções no Twitter durante o encontro, Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Alvaro Dias (Podemos).

Curiosamente, não participaram os dois principais nomes das eleições até o momento. Isso porque o PT, vivendo o impasse da candidatura do ex-presidente Lula (PT), não contou com representantes – como Fernando Haddad - , e tampouco pode comparecer o deputado Jair Bolsonaro (PSL), que se recupera do atentado à faca que sofreu na quinta-feira (6).

Outro candidato que se ausentou foi Cabo Daciolo (Patriota). Embora não seja um dos favoritos, ele vinha chamando atenção nos encontros anteriores devido a extravagância de suas ideias.

No primeiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si. Todos fizeram questão de mencionar o caso do esfaqueamento de Bolsonaro em sua apresentação inicial aos expectadores, desejando melhoras ao deputado.

Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin se enfrentariam em vários momentos do programa. Logo no início, o emedebista procurou pressionar o ex-governador de São Paulo, a quem acusou de “atacar” Bolsonaro em seus programas eleitorais. Alckmin respondeu que Meirelles “não deve ter visto bem os programas”.

Outra dobradinha que se repetiu ao longo do programa foi Ciro Gomes Vs Marina. Disputando uma mesma faixa do eleitorado, eles trocaram perguntas entre si, sempre em tom respeitoso. Já no primeiro bloco, o ex-governador do Ceará questionou a ambientalista sobre como estancar a evasão escolar no país?

Marina falou na necessidade de uma “educação de qualidade”, sem, contudo, expor propostas concretas. Ciro elogiou a líder da Rede, e apresentou uma resposta para sua própria pergunta: estágios remunerados para alunos do ensino médio, prática já implementada no Ceará, disse.

Um dos candidatos que protagonizou os momentos de maior embate do encontro foi Guilherme Boulos. Crítico ao sistema bancário nacional, ele afirmou ser o país “a Disneylândia dos bancos”, prometendo, então, que “não vai governar para o mercado”.

“Falando em banqueiro, vou perguntar para o Meirelles”, disse Boulos, que buscou sempre antagonizar com o emedebista. O psolista, então, associou o candidato a Temer e Alckmin, afirmando que ele é uma das causas da recessão em que se encontra o país. Meirelles, por sua vez, insinuou que Boulos “nunca trabalhou”.

“Eu não vou chamar o Meirelles”, respondeu Boulos, em referência ao jingle do candidato, “eu vou taxar o Meirelles”, disse, provocando risos na plateia.

No segundo bloco, os candidatos foram questionados pelos jornalistas, tendo a resposta comentada por outro candidato. Na primeira questão, Alckmin foi emparedado sobre as denúncias de corrupção que pesam contra ele e seu partido.

Em sua resposta, Alckmin defendeu o correligionário Aécio Neves, que “nem julgado foi” e que, portanto, não deve ser considerado culpado de antemão. Ele propôs, por fim, uma reforma política no país.

Marina Silva , ao comentário a resposta, arrematou que a diferença de Aécio para os políticos condenados e presos é que o senador mineiro “possui foro privilegiado”.

Meirelles foi, então, perguntado sobre as contas que mantêm no Triângulo das Bermudas. “É moralmente correto que um presidente do Banco Central tenha investimentos em um paraíso fiscal?”, quis saber o jornalista.

Meirelles explicou a engenharia financeira que motiva suas contas no exterior. De acordo com o candidato, os milhões depositados nas Bermudas serão “doados para a educação no Brasil”. Ciro, ao comentar a resposta, defendeu a integridade de Meirelles, afirmando, contudo, que é a desregulamentação do mercado financeiro que propicia a existência de bilhões de reais de brasileiros empenhados em paraísos fiscais.

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Ainda nessa rodada, Marina Silva foi perguntada por um jornalista se acredita na inocência de Lula. “Infelizmente o presidente Lula está igualmente envolvido com o poderoso esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato”, respondeu.

Outro dos jornalistas busca apertar Ciro sobre suas posições relativas à Lava Jato. “A Justiça que vive de gravatinhas borboletas em cerimônias de premiação está sempre sujeita à suspeição”, disse, em recado ao juiz Sergio Moro. “Lula foi condenado por conjunto de indícios, nunca vi isso em nenhuma sentença penal”, opinou.

Pressionado por uma das jornalistas sobre o acirramento do ódio à política no Brasil – que, para formuladora da pergunta, se explicaria pelo “discurso do nós contra eles” supostamente fomentado pela esquerda – Boulos afirmou que a única forma de combater o ódio é “atacando-o em sua fonte: a desigualdade econômica no país”.

No terceiro bloco, retornaram as perguntas dos candidatos entre si. No que parece ser uma recomendação dos marqueteiros do MDB, Meirelles, sempre à Alckmin, criticou a forma como o tucano enfrentou o crime organizado no estado de São Paulo.

Como é seu costume, o ex-governador apresentou uma série de estatísticas para defender sua gestão. “Falar que vai resolver o problema não é o suficiente”, retorquiu Meirelles.

Novamente à Marina, Ciro quis saber das propostas da ambientalista quanto aos exames especializados no SUS. Marina prometeu “saúde de qualidade para todos os brasileiros”, com a construção de 400 novas regionais do SUS e foco nas equipes de saúde da família.

No quarto bloco do debate, perguntaram os internautas. A primeira questão, na esteira do incêndio do Museu Nacional, foi sobre a ausência de verbas para a preservação de museus no país. Coube a Ciro dissertar sobre o tema, em um minuto e meio.

“A tragédia do Museu Nacional é a demonstração do resultado da aliança PSDB-PMDB, com o congelamento dos investimentos em moradia, saúde, educação, cultura... livrando os privilégios da previdência e os juros dos banqueiros da conta”, disse o pedetista, que prometeu revogar a PEC do teto dos gastos.

Questionado por um internauta sobre educação, Boulos voltou a atacar Meirelles. “O descaso com a educação no Brasil não é um acaso, é uma política”, disse, prometendo, como Ciro, revogar a PEC do teto de gastos para voltar a investir no setor. “O que chamam de ideologias na escola é o pensamento crítico, onde se debate machismo, homofobia e racismo”, concluiu.

Alckmin, por sua vez, foi arguido por um internauta sobre a situação dos presídios no país e o sucateamento das defensorias públicas.

“É um assunto absolutamente prioritário”, disse o ex-governador, elencando novas estatísticas para ilustrar a questão. “Vou trabalhar firme contra o tráfico de armas e drogas e reforçar a legislação penal. Vamos investir”, prometeu.

Em suas considerações finais, todos os candidatos falaram uma vez mais em “pacificar a política”. Marina sintetizou dizendo que é preciso “apresentar a outra face, respondendo com amor ao ódio, com trabalho à preguiça”.

Dias foi no mesmo sentido. “Somos muitos brasis dentro de um só Brasil, e precisamos nos respeitar, sem estimular a violência”, disse.

A “pacificação da política” frequentou ainda o discurso final de Alckmin. “Todas as vezes que o Brasil fez um esforço de pacificação, ele avançou”, concluiu.

“O desânimo e a revolta não são bons conselheiros”, disse, por sua vez, Ciro, ao se despedir do expectador.

Último a discursar no debate , Boulos deu sua perspectiva sobre o ódio na política. “O Brasil vive uma escalada do ódio. As pessoas perderam sua capacidade de se colocar no lugar das outras”, concluiu.

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