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Para o general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, se a situação nacional descambar para a anarquia o Exército pode tomar o poder

General Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, admite a possibilidade de um golpe de Estado em caso de anarquia
Divulgação/Exército Brasileiro - 7.7.14
General Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, admite a possibilidade de um golpe de Estado em caso de anarquia

A possibilidade de o Exército tomar o poder sem um pedido expresso do Congresso está no radar do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro em sua chapa presidencial. Em caso de “anarquia”, disse em entrevista aos jornalistas da Globonews , as Forças Armadas serão convocadas.

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O vice de Bolsonaro admite que não há previsão constitucional para que o Exército tome o poder nessas circunstâncias. Contudo, disse, para resguardar a “paz nacional”, a democracia poderia ser sacrificada, no que o general classifica como “autogolpe”.

Questionado pelos jornalistas qual seriam as situações anárquicas que justificariam um golpe , Mourão respondeu: “O próprio presidente é o comandante-chefe das Forças Armadas, ele pode decidir isso. Ele pode decidir empregar as Forças Armadas”.

O general voltou a reafirmar, ainda, seu pensamento relativo à formação social brasileira. Ele disse que sua frase sobre a “indolência herdada dos indígenas” e a “malandragem oriunda dos negros” fora mal interpretada – de acordo com Mourão, importantes sociólogos brasileiros, como Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Hollanda seriam alguns dos que introduziram essa tese.

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Um dos jornalistas presentes lembrou ao militar que os sociólogos mencionados defendem justamente o contrário em seus escritos, ao que Mourão respondeu tratar-se de “questão de interpretação”.

O militar também comentou sobre o ataque sofrido por Bolsonaro na quinta (6). Para Mourão , é hora de reduzir as tensões no país.

"Nós estamos lançando pequenos vídeos, fazendo contato com os cabeças de chave nos diferentes estados e passando a palavra de ordem: reduzir as tensões. Não adianta haver confronto neste momento, não faz bem para ninguém e é péssimo para o país”, disse.

Como de praxe, o vice de Bolsonaro defendeu, por fim, o coronel Brilhante Ulstra, responsável por diversas mortes e torturas durante a ditadura militar imposta em 1964. “Carlos Alberto Brilhante Ustra foi meu comandante quando era tenente em São Leopoldo. Um homem de coragem, um homem de determinação e que me ensinou muita coisa. Excessos foram cometidos? Excessos foram cometidos. Heróis matam", disse.

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