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Líder das pesquisa sem a presença de Lula, deputado federal do Rio de Janeiro foi o último entrevistado pelos jornalistas do canal GloboNews

Deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro foi o quinto e último candidato das eleições presidenciais sabatinado pelos jornalistas do canal pago GloboNews . Antes dele, Álvaro Dias, Marina Silva , Ciro Gomes Geraldo Alckmin já haviam participado da entrevista.

Primeiro colocado nas pesquisas que não consideram a participação do ex-presidente Lula (PT), que teve ter a candidatura impugnada, Jair Bolsonaro procurou se colocar como um candidato diferente, se desentendeu com os jornalistas após perguntas sobre economia e ainda falou sobre suas declarações polêmicas.

A sabatina de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro se colocou como candidato
Divulgação
Jair Bolsonaro se colocou como candidato "diferente", fugiu de perguntas técnicas e negou que houve ditadura no Brasil

A mesa abriu a entrevista perguntando sobre uma possível falta de governabilidade, uma vez que aprovou apenas três projetos em 26 anos na Câmara dos Deputados, o candidato disse que não terá dificuldade em dialogar. "O Brasil está afundando e os parlamentares vão precisar votar para salvar o País", disse.

Sobre os escândalos de corrupção envolvendo o PP, seu ex-partido e o PR, partido procurado pelo candidato para fazer aliança, o deputado minimizou: "Eu respondo apenas por mim e tenho história de infidelidade de votos contra meus partidos. Nunca segui orientação". Ele ainda atacou o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. "Se ele for eleito, ele vai para o Palácio da Planalto, vai reunir as lideranças e distribuir cargos no governo. Eu vou escolher o meu ministério", falou.

Questionado sobre sua constante negação de falar sobre assuntos como economia, o deputado federal defendeu sua decisão. "Eu sei o que povo precisa. É uma inflação baixa, um dólar que não atrapalhe a importação, desburocratização, abertura de comércio, mas é o Paulo Guedes, que será o ministro da Fazenda", disse.

Ao assistir um vídeo em que seu assessor econômico, Paulo Guedes, critica as estatizações no governo militar, Bolsonaro defendeu as práticas do ditadura, mas disse que não pretende repeti-las. "Em nossos cinco presidentes militares, o Brasil passou da 49ª para a oitava economia do mundo. Naquela época, a iniciativa privada não conseguiria fazer investimentos. Hoje, nós evoluímos", explicou o deputado, que também prometeu cortar subsídios.

O deputado também disse que pretendia diminuir impostos. Questionado pelos jornalistas sobre quais tributos pretendia cortar, ele não soube responder. "A responsabilidade está na mão das pessoas que estão elaborando os projetos", se defendeu. A mesa insistiu, ao lembrar que o próprio Paulo Guedes, assessor econômico de Bolsonaro, já havia dito que estava discutindo detalhes sobre impostos com o candidato. "Isso vai ser revelado no plano de governo. Não vou entrar nesse jogo de vocês", respondeu o deputado.

Sobre a greve dos caminhoneiros, o candidato disse que considera o preço dos combustíveis muito alto, e que se tratava de um "problema sem solução". "Se não houver acordo, posso sugerir inclusive privatizar a Petrobras", afirmou. "Não podemos quebrar o cidadão que trabalha para pagar as dívidas do estado", completou. Sobre o Banco da Brasil e a Caixa, ele disse que pretende manter sob o controle do governo. Em relação aos Correios, ele sugeriu a privatização.

Jair Bolsonaro (PSL)foi o entrevistado da GloboNews nesta sexta-feira (3)
Nilson Bastian / Câmara dos Deputados
Jair Bolsonaro (PSL)foi o entrevistado da GloboNews nesta sexta-feira (3)

Questionado sobre uma declaração dada ao jornal Zero Hora  em que teria dito que concorda com salários maiores para homens do que para mulheres, o candidato afirmou que havia falado isso: "Nunca falei isso, colocaram palavras na minha boca. Assim como o jornalista que falou que minha solução seria 'metralhar a rocinha', outra coisa que nunca falei", disse.  O deputado ainda atacou a lei do feminicídio. "Quem mata tem que puxar 30 anos de cadeia, independente que quem for a vítima", afirmou.

Ele ainda falou sobre outros assuntos polêmicos nos quais foi envolvido nos últimos anos. "Eu nunca foi homofóbico, só sou contra o kit gay nas escolas. Eu diria, inclusive, que entre os homossexuais, eu ganharia a eleição", disse. 

Quando a mesa lembrou que Jair Bolsonaro recebeu auxílio moradia como deputado apesar de ter um imóvel em Brasília, o deputado voltou a se irritar. "Está na lei. Eu tenho despesas com o meu apartamento, como IPTU. Você acha isso imoral?", questionou. "Ainda bem que esse é meu grande problema como deputado, e não vender meus votos", completou.

Em mais um assunto espinhoso, o deputado voltou a negar que houve ditadura no Brasil: " Houve um período de exceções, mas quem defende a controle da mídia é o PT e não eu. Tancredo Neves foi eleito de forma indireta, assim como nossos presidentes militares". Sobre a possibilidade de repetir atos do governo militar, ele negou. "Era um período diferente, viviamos a Guerra Fria. No meu governo essas coisas não vão acontecer", afirmou.

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Sobre educação, Bolsonaro sugeriu militarizar os colégios. "Nas escolas militares, não há celular nas salas de aula, os professores são respeitados e os alunos tem alta aprovação em concursos e vestibulares. A implementação de um colégio como esse nas nossas comunidades mais pobres daria muito mais resultado do que uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora)", explicou "O objetivo da educação é formar um bom profissional, mas os nossos colégios estão formando militantes de esquerda", continuou.

No bloco final, Jair Bolsonaro respondeu perguntas rápidas feitas pelos jornalistas. Disse que o crime organizado preocupa mais que as milícias, que não acredita numa intervenção russa na eleição russa e falou que é contra as cotas raciais. Ele ainda falou que pretende manter o Bolsa Família e colocou o presidente norte-americano Donald Trump como modelo de líder mundial.

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