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Em depoimento à Câmara dos Deputados, Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, questionou provas usadas pela Lava Jato, apontou direcionamento em delações e reiterou vontade de ser ouvido por Moro

Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, foi ouvido na Câmara dos Deputados
Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, foi ouvido na Câmara dos Deputados

O ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán reiterou nesta terça-feira (5) as acusações que tem feito contra os responsáveis pela Operação Lava Jato . Em videoconferência, ele falou à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados a pedido do deputado Wadih Damous (PT).

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Durán lembrou que, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, em 2016, questionou provas usadas pelo Ministério Público em denúncias na Lava Jato e apontou direcionamento de delações contra determinados alvos da operação. Ele sustenta as acusações com perícias feitas na Espanha, onde vive.

O advogado trabalhou para a Odebrecht entre 2011 e 2016. Acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, foi preso em 2016 na Espanha e libertado depois que a Justiça local negou a extradição – Durán tem dupla nacionalidade. Ele afirma que todas as acusações foram arquivadas na Espanha por falta de provas.

Durán disse que a Justiça brasileira se recusa a ouvi-lo, embora como testemunha esteja colaborando em investigações contra a Odebrecht em sete países. Em dezembro, dias depois do depoimento à CPMI da JBS, representantes da Lava Jato faltaram a uma audiência com ele realizada na Espanha a pedido do Brasil.

Por causa da “mordaça”, afirmou Durán, investigados pela Lava Jato estão impedidos de utilizar as supostas provas de manipulação em documentos da Odebrecht. A defesa do ex-presidente Lula da Silva, preso em Curitiba, tenta incluir o advogado como testemunha. O Ministério Público já se mostrou contrário ao pleito, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve julgar um recurso em breve.

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Em uma das respostas aos deputados, Durán declarou que, ao impedir o seu depoimento como testemunha, a Justiça brasileira cerceia a defesa de Lula . “As provas que tenho desmontam as investigações da Lava Jato, por isso não me deixam testemunhar”, afirmou, prometendo enviar documentos à comissão parlamentar.

Dodge decide

Deputados do PT vão insistir para que a Procuradoria-Geral da República apure as denúncias do advogado. Uma representação nesse sentido, feita por Damous e outros três parlamentares, foi arquivada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

“A Lava Jato , na verdade, é um conjunto de operações em que juízes e procuradores se valem de suas prerrogativas para perseguição política. Para isso vale tudo: adulterar documentos, extorquir delações e beneficiar indevidamente delatores. Não vamos dar sossego; a Procuradoria-Geral da República tem a obrigação de investigar esses fatos”, denunciou Damous.

* Com informações da Agência Câmara

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