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Alckmin teria recebido doação ilegal da empresa que é concessionária pública e usado dinheiro para campanha ao governo de São Paulo em 2010

Geraldo Alckmin ex-governador de São Paulo
Reprodução/Twitter
Geraldo Alckmin ex-governador de São Paulo

Representantes da CCR , maior concessionária de estradas públicas do país, relataram aos promotores do Ministério Público (MP) de São Paulo que a empresa doou R$ 5 milhões ao ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin . O valor teria sido entregue ao cunhado do presidenciável, o empresário Adhemar Ribeiro, e usado como caixa 2 na campanha de 2010.

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O cunhado de Alckmin , por sinal, já foi citado em delações premiadas de ex-executivos da Odebrechet como intermediário do recebimento de R$ 2 milhões de caixa 2 para a campanha do ex-governador em 2010 e R$ 8,3 milhões para a campanha de 2014. Esse é  o mesmo que causou polêmica ao ser enviado para a 1ª instância após a desincompatibilização de Alckmin no dia 7 de abril. Adhemar Ribeiro também já foi acusado de fraude em 2011 .

Já no atual caso da CCR, o promotor José Carlos Blat também coletou relatos que apontam um total de R$ 23 milhões doados para três políticos do PSDB de São Paulo entre 2009 e 2012, partido que está no comando do estado desde 1995.

Segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo , os nomes seriam os do ex-governador José Serra e do atual ministro das Relações Exteriores e senador licenciado por São Paulo, Aloysio Nunes, além do próprio Geraldo Alckmin.

O jornal também informou que Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa  recém liberado de prisão preventiva pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes , foi responsável pela arrecadação para Aloysio, enquanto o intermediário de Serra teria diso o empresário Márcio Fontes.

Por ser uma concessionária de serviços públicos como o complexo viário Anhanguera-Bandeirante e trechos das rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, a CCR não pode fazer doações eleitorias. Apesar da proibição empresarial só ter virado lei em 2013 na minirreforma eleitoral, esse já era o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2010, época em que as doações ocorreram.

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Resposta de Alckmin

A assessoria do pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB afirmou, em nota, que "a defesa do ex-governador não tem conhecimento de qualquer denúncia relativa ao fato descrito pelo pedido da reportagem. De qualquer maneira, o fato nunca exisitu. É falso."

Além disso, os advogados de Alckmin ainda afirmaram que "estranha-se o fato de essa investigação (caso realmente exista) estar sendo conduzida pelo Ministério Público Estadual e não pelo Ministério Público Eleitoral", além de reiterar que "o ex-governador continua disposto a prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes."

Já o chanceler Aloysio Nunes desmentiua denúncia afirmando que "isso é pura e simplesmente uma mentira". José Serra e Paulo Vieira Souza não quiseram se pronuncias. E a defesa de Adhemar Ribeiro não foi localizada pela reportagem.

A CCR, por sua vez, afirmou em nota que o comitê (formado pela empresa depois que o nome da CCR apareceu em delações em fevereiro) já está trabalhando para apurar as denúncias contra ela e disse que “continua a trabalhar em seu plano de crescimento qualificado, tendo como premissas a disciplina de capital, ética e transparência.”

Resta saber, agora, qual o impacto que as denúncias terão sobre a campanha de Alckmin à presidência da República. O ex-governador sofre para conseguir decolar nas pesquisas eleitorais e enfrenta resistência dentro e fora do próprio partido.

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Recentemente,  ele tem se aproximado do MDB do atual presidente Michel Temer para uma composição de chapa com o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O principal atrativo seria o tempo de televisão que o partido poderia trazer para a campanha de Alckmin .

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