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Para ministro das Relações Exteriores, personalidades europeias não tem direito de se intrometer no sistema judiciário brasileiro; leia nota na íntegra

O chanceler Aloysio Nunes (PSDB) se tornou ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer
Moreira Mariz/ Agência Senado
O chanceler Aloysio Nunes (PSDB) se tornou ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, reagiu nesta quarta-feira (16), sobre um manifesto divulgado por ex-chefes de Estado europeus que solicitava a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na Operação Lava Jato, nas eleições presidenciais deste ano.

Segundo nota divulgada pelo Itamaraty, o chanceler chamou a atitude de “preconceituosa, arrogante e anacrônica”, além de ter afirmado que ficou “incrédulo” quando soube da iniciativa.

“Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro”, diz o comunicado, referindo-se a legislação que impede que cidadãos brasileiros condenados em órgãos colegiados devem ficar impedidos de disputar eleições.

“Ao sugerir que seja feita exceção ao ex-presidente Lula , esses senhores pregam a violação do estado de direito”, ressalta.

Por fim, o ministro questiona. “[Esses líderes estrangeiros] fariam isto em seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e seu compromisso com a lei e as instituições democráticas.”

O ex-presidente Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O petista está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, desde o dia 7 de abril.

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Veja a nota na íntegra

“Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro. Qualquer cidadão brasileiro que tenha sido condenado em órgão colegiado fica inabilitado a disputar eleições. Ao sugerir que seja feita exceção ao ex-presidente Lula, esses senhores pregam a violação do estado de direito. Fariam isto em seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e seu compromisso com a lei e as instituições democráticas.”

Nomes

Na relação dos seis ex-chefes de Estado e de Governo europeus que defendem a candidatura de Lula estão o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, ex-primeiro-ministro da Espanha; o francês François Hollande, ex-presidente da República; os italianos Massimo D'Alema, ex-chanceler, Romano Prodi, ex-primeiro-ministro, e Enrico Letta, ex-primeiro-ministro; além do belga Elio di Rupo, ex-primeiro-ministro.

Os ex-chefes de Estado e de Governo fizeram um manifesto denominado "Chamada de Líderes Europeus em apoio a Lula". O documento foi organizado por Jean-Pierre Bel, enviado pessoal de Hollande para a América Latina de 2015 a 2017, e presidente do Senado francês de 2011 a 2014.

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