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Apesar de ter votado a favor do habeas corpus de Lula na última quarta, ministro do STF defende que decisão judicial de Moro deve ser cumprida

'Nós não podemos simplesmente incendiar o País. Evidentemente, decisão judicial deve ser cumprida', disse Marco Aurélio
Nelson Jr./SCO/STF - 03.11.2016
'Nós não podemos simplesmente incendiar o País. Evidentemente, decisão judicial deve ser cumprida', disse Marco Aurélio

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF) – que votou a favor do pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, julgado na última quarta-feira (4), na plenário do Supremo – falou nesta sexta-feira (6) a respeito da ordem de prisão feita pelo juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente e disse que "incendiar o País" não é uma saída. 

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"Não podemos fazer qualquer prognóstico. Se (a decisão) não for derrubada, será cumprida", disse Marco Aurélio à Rádio Jornal . "Vamos esperar que as instituições funcionem, o momento é de temperança, de tranquilidade, nós não podemos simplesmente incendiar o País . Evidentemente, decisão judicial deve ser cumprida", afirmou em relação à resistência petista.

A declaração do ministro vem logo depois da informação de que o ex-presidente Lula escolheu não se entregar à Polícia Federal (PF), em Curitiba, conforme determinado por Moro

Na entrevista à rádio, o ministro disse ainda que é preciso aguardar para ver o que vai acontecer até às 17h, prazo final para Lula se entregar. Afinal, ele lembrou que "o protocolo do judiciário está sempre aberto ao cidadão", seja ele o presidente ou qualquer outra pessoa.

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Em seu pronunciamento nesta sexta-feira, o ministro do STF preferiu não se posicionar a respeito da suposta celeridade do juiz Sérgio Moro em solicitar a prisão do petista.

Redistribuição de processo

Ainda hoje, Marco Aurélio solicitou a redistribuição de um habeas corpus protocolado ontem à noite no Supremo Tribunal Federal (STF) que foi distribuído a ele. O processo foi assinado por um advogado de São Bernardo do Campo e pede a liberdade do ex-presidente Lula. Tal advogado não é ligado à defesa do ex-presidente.

Em um curto despacho, o ministro destacou que o relator de um primeiro habeas corpus de Lula no STF é o ministro Edson Fachin, e remeteu o processo à presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, para que decida sobre o destino do pedido.

O processo impetrado pelo advogado Adinaldo Martins questiona a validade do resultado do julgamento da última quarta-feira (4) no plenário do STF, em que os ministros decidiram, por 6 votos a 5, rejeitar um habeas corpus preventivo que havia sido pedido pela defesa de Lula.

Ontem (5), o juiz federal Sergio Moro determinou a prisão do ex-presidente no caso do tríplex no Guarujá (SP), determinando que ele se entregue à Polícia Federal até as 17h de hoje (6).

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Lula encontra-se neste momento no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Embora o ministro fale em uma tentativa de " incendiar o País ", o petista está calmo e tranquilo, segundo sua assessoria. 

* Com informações da Agência Brasil.

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