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Rodovias de diversos estados foram bloqueadas por manifestantes do MST; grupos a favor da prisão também organizam protestos em vários lugares

Manifestantes comemoram a ordem de prisão dada pelo juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Manifestantes comemoram a ordem de prisão dada pelo juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula

Desde que o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na tarde de quinta-feira (5) , apoiadores do petista começaram a se articular para que protestos fossem organizados contra a ordem de prisão. Além disso, movimentos a favor da prisão também marcaram manifestações, que devem acontecer em diversas capitais do país.

No fim da noite de ontem, Lula foi para o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde passou a noite. Desde então, apoiadores do petistas se reunem em frente à sede. Os protestos começaram na quinta-feira, quando membros do PT convocaram a população para um ato no local e cerca de 5 mil pessoas apareceram. Alguns militantes chegaram a passar a noite do lado de fora do prédio do sindicato.

Membros do MST bloqueiam estradas
MST/Facebook/Reprodução
Membros do MST bloqueiam estradas

No período da manhã desta sexta-feira (6), a rua do sindicato voltou a lotar. De acordo com a Polícia Militar, por volta das 10h30 mil pessoas já se concentravam em frente à sede em São Bernardo do Campo. Um trio elétrico foi montado no local, e manifestantes cantaram em apoio ao ex-presidente.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) bloqueou a passagem em mais de 50 estradas em 24 estados do Brasil hoje em ação contra o pedido de prisão de Lula. Os protestos começaram no início desta manhã, quando algumas vias já estavam fechadas, segundo informações do próprio movimento, nos estados de Pernambuco, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Sergipe, Bahia e Paraíba.

Segundo o MST , pneus de um veículo de comunicação de uma empresa que pertence ao grupo Rede Globo foram queimados em frente ao Diário de Santa Maria , no Rio Grande do Sul. 

Na Paraíba, a rodovia BR 230 foi fechada por manifestantes, no principal acesso entre João Pessoa e Campina Grande. No município de Jaciara, no Mato Grosso, a BR 364 foi trancada. No Pará, também está fechada a BR 155.

Em Sergipe, integrantes do Movimento Sem Terra fecharam a rodovia SE-270 (Rodovia Louraça Batista), na altura do povoado Taboca, em Itaporanga.  Em Salvador, na Bahia, muros amanheceram pichados, com os dizeres "Lula Livre". 

Mais manifestações contra a prisão de Lula

Além do protesto em São Bernardo do Campo, há outras manifestações contra a decisão de Sérgio Moro marcadas para o final da tarde desta sexta-feira (6). A Frente Brasil Popular, por exemplo, está organizando um ato no centro de Belo Horizonte para às 16 horas, e no Rio de Janeiro, diversos movimentos marcaram um protesto, também para às 16 horas, na Igreja de Nossa Senhora Candelária.

Manifestantes do MST bloqueiam rodovias em vários estados do Brasil em protestos contra a prisão de Lula
MST/ Reprodução Facebook
Manifestantes do MST bloqueiam rodovias em vários estados do Brasil em protestos contra a prisão de Lula

No Rio Grande do Sul, a Frente Povo sem Medo marcou o "Ato em defesa de Lula e da Democracia Em Porto Alegre" para às 17h, e no Nordeste, as cidades de Fortaleza e Recife também têm protestos marcados contra a prisão de Lula.

Protestos a favor da prisão do ex-presidente

Em São Paulo, o Movimento Brasil Livre (MBL) marcou o protesto entitulado "Carnalula", a favor a prisão do ex-presidente, que deve acontecer hoje no vão do MASP, na Avenida Paulista, às 18 horas. O MBL também organizou manifestações na cidade de São José dos Campos, no interior paulista.

Outros protestos devem acontecer na cidade de Curitiba, onde os movimentos "República de Curitiba", "UFPR Livre", "LIBRA - Livre Brasil" e "Movimento Curitiba Contra a Corrupção" marcaram um evento na frente da Polícia Federal no Paraná, que deve ser iniciado às 13 horas. No Facebook, protestos organizados por outras frentes a favor da decisão também foram marcados para o mesmo local.

Lula não deve se entregar à Polícia Federal

De acordo com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ),  o Lula ainda não decidiu se vai se apresentar ou não à Polícia Federal em Curitiba. Porém, o jornal  Folha de S.Paulo  afirmou que conversou com o ex-presidente por telefone e, às 8h30, sua decisão era de não ir para Curitiba se entregar .

Manifestações contra o pedido de prisão do ex-presidente Lula estão acontecendo em todo o país desde a última quinta-feira (5)
Reprodução/Twitter
Manifestações contra o pedido de prisão do ex-presidente Lula estão acontecendo em todo o país desde a última quinta-feira (5)

Conforme a decisão de Moro, o petista tem até as 17h desta sexta-feira (6) para se apresentar "voluntariamente" na capital paranaense à Polícia Federal. Após ter o habeas corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal , Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão no processo do caso triplex do Guarujá.

Durante toda a noite, o ex-presidente esteve acompanhado pelos filhos e correligionários no Sindicato dos Metalúrgicos. O petista acabou não fazendo nenhum tipo de discurso, mas acenou e desceu para cumprimentar alguns de seus aliados.

Ainda segundo o jornal, Lula disse que estava tranquilo, bem disposto, e que já tinha feito seus exercícios matinais como faz todos os dias.

Sindicato dos Metalúrgicos

Na noite de quinta-feira, o Partido dos Trabalhadores (PT) convocou uma mobilização geral em São Bernardo do Campo, após a determinação de Moro. Além de militantes, várias figuras famosas da política brasileira compareceram ao local.

Estavam lá a ex-presidente Dilma Rousseff, a presidente do PT Gleisi Hoffmann, e o senador petistas Lindbergh Farias. Membros de outros partidos, como os pré-candidatos à presidência Manuela D'Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL) também marcaram presença e discursaram. A vigília seguiu madrugada adentro, ainda que esvaziada ao longo do tempo. 

Apoio de Dilma

Um dos discursos feitos em cima de um carro de som estacionado em frente do sindicato foi o da ex-presidenta Dilma Rousseff . Ela disse que o pedido de prisão expedido pelo juiz federal Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “faz parte do golpe” que começou com seu impeachment.

“O Lula é inocente. Está sendo vítima de uma das mais graves ações contra uma pessoa. Nossa Constituição é clara. Não se pode prender sem ter esgotado todos os recursos. O presidente tinha direito de recorrer”, disse.

A ex-presidente acrescentou que “isso faz parte do golpe. O golpe que começou quando me tiraram da presidência da República sem nenhum crime que eu tivesse cometido. “O que nós assistimos hoje é a rapidez com que decidiram privar o maior presidente desse país do direito mais sagrado da Constituição brasileira que é a liberdade”.

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