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Para Michel Temer (MDB), a simples presença dos militares “causa impacto no banditismo” carioca; decreto vai até o fim de dezembro deste ano

Forças Armadas durante operação na Vila Kennedy, no Rio de Janeiro. Ações têm sido recorrentes na região
Tânia Rêgo/Agência Brasil - 7.3.18
Forças Armadas durante operação na Vila Kennedy, no Rio de Janeiro. Ações têm sido recorrentes na região

Para o presidente Michel Temer (MDB) , “a simples presença do interventor e das Forças Armadas causa impacto no banditismo” carioca. A declaração foi dada na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que reúne membros da sociedade civil, políticos e empresários indicados pelo presidente.

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Temer também opinou que os militares dão “sensação de conforto para aqueles mais vulneráveis, como os moradores do morro”. A informação é do site Poder360 .

Na reunião, discutiu-se formas de fazer chegar ao Rio os recursos necessários para a intervenção. O general Braga Netto , nomeado interventor no estado, estimou que a segurança carioca precisaria de R$ 3,1 bilhões para fechar suas contas; o governo, contudo, acenou que deve liberar apenas R$ 1 bilhão ao Rio.

A fala do presidente acontece uma semana depois de a vereadora Marielle Franco (PSOL) ser assassinada em uma via pública no Rio de Janeiro.

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Como se sabe, Marielle, entre outras coisas, era defensora dos direitos dos moradores das periferias do Rio e se posicionou contra a intervenção militar na cidade. Todos os indícios de sua morte apontam para um homicídio premeditado, uma execução. Entre os muitos adversários de Marielle, estavam milicianos e policiais militares acusados de má conduta em invasões a favelas fluminenses.

Se a morte de Marielle não abalou os ânimos de Temer sobre a intervenção, antes do assassinato o presidente estava ainda mais otimista. No dia 13 de março, um dia antes da morte da vereadora, ele chegou a cogitar que a intervenção terminaria em setembro, possibilitando que a reforma da previdência fosse votada ainda neste ano.

“Se até setembro as coisas se tranquilizarem no Rio, podemos aprovar a reforma da previdência”, dizia o presidente.

O tom do governo mudou após o assassinato da vereadora. Carlos Marun, principal articulador político de Temer, chegou a dizer que “só um imbecil” acharia que em um mês a situação no Rio se pacificaria.

De toda forma, a intervenção federal na segurança pública do estado segue em alta junto da população. De acordo com pesquisa divulgada pelo instituto CNT/MDA, 62% dos entrevistados se disseram favoráveis a medida de Temer.

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