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Vereadora Talíria Petrone, do PSOL de Niterói, foi ameaçada em ligações anônimas; “não vão nos fazer parar”, respondeu partido

Milhares se reúnem no Rio de Janeiro para se despedir e protestar contra assassinato de vereadora Marielle Franco (PSOL)
Reprodução/Facebook
Milhares se reúnem no Rio de Janeiro para se despedir e protestar contra assassinato de vereadora Marielle Franco (PSOL)

Quatro meses antes do assassinato da vereadora Marielle Franco , morta a tiros na quarta-feira (14), outra vereadora do PSOL recebeu ameaças de morte. Talíria Petrone , vereadora em Niterói, foi destinatária de diversas ligações anônimas na sede do partido na cidade. Nelas, um homem ofendia Petrone e dizia que explodiria uma bomba em alguma das reuniões em que ela estivesse presente.

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Como Marielle, Petrone tem sua atuação na Câmara pautada pela defesa dos direitos humanos e das minorias, sendo crítica costumeira à violência e aos excessos praticados por policiais em incursões nas favelas do estado.

Em nota publicada em novembro do ano passado, o PSOL prestou solidariedade à vereadora e afirmou que as ameaças “não vão fazer parar” a luta do partido.

O PSOL, ainda, revelou que estas não foram as primeiras tentativas de intimidar membros do partido. “Temos sido alvo de sistemáticos ataques de ódio e ameaças de violência de setores reacionários da extrema direita”, diz a nota.

No início de 2017, prossegue a nota, a sede do partido foi pichada “com dizeres ameaçadores e invadida por um homem armado e com discurso intimidatório”.

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O PSOL faz menção também aos ataques que sofre na internet. “Raivosas manifestações de preconceito de conotação machista, racista e LGBTfóbica” foram direcionados à vereadora, denuncia o partido.

Vereadora assassinada

Marielle deixava o evento “Jovens negras movendo as estruturas”, na noite de quarta-feira (14), na Lapa, quando dois homens em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Ela e seu motorista morreram na hora. O crime aconteceu na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio. A polícia trabalha com a hipótese de execução.

A vereadora fazia parte da Comissão da Câmara que fiscalizava a intervenção federal no Rio de Janeiro. Dias antes de ser assassinada, ela denunciou assassinatos que teriam sido praticados pelo 41º Batalhão da PM do Rio.

Referência para o movimento negro e feminista, ela deixou uma filha de 19 anos. O corpo da vereadora foi velado na quinta-feira (15), na Câmara dos Vereadores, tendo sido acompanhado por uma multidão de milhares de pessoas.

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