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De 2011 para cá, 41º Batalhão da PM no Rio foi responsável por ao menos 567 mortes; vereadora denunciou batalhão dias antes de ser assassinada

Milhares se reúnem no Rio de Janeiro para se despedir e protestar contra assassinato de vereadora Marielle Franco (Psol)
Reprodução/Facebook
Milhares se reúnem no Rio de Janeiro para se despedir e protestar contra assassinato de vereadora Marielle Franco (Psol)

O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, denunciado pela vereadora Marielle Franco (Psol) dias antes de seu assassinato na noite de quarta-feira (14), é o que mais mata e atira em toda a capital fluminense. A informação é do jornal Folha de S.Paulo .

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De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Estado, a região coberta pelo 41º Batalhão é a que apresenta maior número de mortes decorrentes de supostos confrontos com policiais.

De 2011, ano em que as informações começaram a ser coletadas, até 2018, o batalhão foi responsável por ao menos 567 mortes. Alguns desses assassinatos ganharam as manchetes, como o da menina Maria Eduarda , de 13 anos, morta pela polícia em junho de 2017.

O 41º Batalhão cobre os bairros de Irajá, Pavuna, Vicente de Carvalho e Costa Barros, região que abriga duas das favelas mais violentas da cidade, o complexo da Pedreira e o Chapadão. Ao todo, 41% das mortes violentas que tomam lugar nesta parte da cidade são atribuídas a policiais.

A vereadora Marielle Franco, bem como diversos outros defensores dos direitos humanos, criticam há anos a atuação do batalhão. Em sua última manifestação nas redes sociais sobre a região, a psolista denunciava a atuação dos policiais na favela de Acari.

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“Precisamos gritar para que todos saibam o que está acontecendo em Acari nesse momento. O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção federal ficou ainda pior”, escreveu a vereadora, quatro dias antes de ser morta a tiros na cidade.

A PM confirmou à Folha que esteve na favela de Acari no fim de semana em que a vereadora postou o comentário, mas não assumiu a responsabilidade pelas mortes citadas por ela.

Na segunda-feira (12), um dia antes de ser assassinada, a vereadora tornou a denunciar a PM: “mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”.

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