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Senador fez comentários sobre uma propaganda do governo que defende as mudanças previdenciárias e disse que o presidente não cumpre o que fala

Renan Calheiros afirma que em vez de dois
Geraldo Magela/Agência Senado - 23.11.2016
Renan Calheiros afirma que em vez de dois "Joões" os marqueteiros deveriam usar como exemplo dois "Michéis"

O senador Renan Calheiros (MDB) publicou um vídeo nas redes sociais no qual faz críticas a uma propaganda do governo federal sobre a reforma da Previdência . Para o ex-presidente do Senado, o problema da reforma é que o presidente Michel Temer (MDB)  "quer impor aos brasileiros a perda de direitos que o Michel, cidadão, usufrui sem constrangimentos há muitos anos".

Na interpretação de Renan Calheiros , a propaganda veiculada pelo governo mostra dois "Joões" formados em Direito que são usados como exemplo para justificar que quem se aposenta pelo setor público "trabalha pouco, se aposenta cedo e ganha muito". Já quem trabalha no setor privado, suspostamente, é a favor da reforma para que ela tire os privilégios dos servidores públicos. 

O senador ironiza a peça publicitária e afirma que em vez de dois "Joões" os marqueteiros deveriam usar como exemplo dois "Michéis". Um cidadão e um presidente. O cidadão se aposentou com 55 anos, ganhando R$ 48 mil,  hoje ganha R$ 68 mil e acha que fez por merecer. E o Michel 2, Presidente, que é sabido, que quer a reforma e que os outros contribuam até 75 anos. Esse é o problema dessa reforma da aposentadoria. O Michel presidente fala coisas, mas não faz as coisas que fala", criticou Renan.


Proposta "mal vendida"

Na última quinta-feira (8), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE),  reclamou que a reforma da Previdência foi mal vendida pela equipe econômica do governo quando enviada ao Congresso Nacional no ano passado.

“A reforma da Previdência foi colocada com 200 'penduricalhos' e as informações são tantas que ficaram contraditórias”, declarou Eunício.

O emedebista disse ainda que, caso o pacote de alterações nas regras para acesso à aposentadoria tivesse sido enviado de forma mais enxuta, o projeto poderia ter sido aprovado junto à reforma trabalhista, ainda em 2017.

“Se a reforma não for aprovada, não é uma catástrofe”, disse, considerando um cenário para os próximos três anos. Mesmo assim, Eunício disse que é um problema que terá que ser resolvido e que os candidatos à Presidência da República vão ter que enfrentar.

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Eunício Oliveira, sucessor de Renan Calheiros no cargo de presidente do Senado, avaliou ainda que a reforma como está sairá “micro ou defeituosa”. E acrescentou que, se chegar ao Senado ainda este ano, o texto terá que ser debatido e passar pela Comissão de Assuntos Econômicos da Casa antes de ir a plenário.