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Relator também pode pedir a prisão do ex-procurador Marcelo Miller, suposto responsável pelas articulações para fechar acordo de delação da JBS

Nome de Carlos Marun foi confirmado para a Secretaria de Governo na noite do último sábado pelo Palácio do Planalto
Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Nome de Carlos Marun foi confirmado para a Secretaria de Governo na noite do último sábado pelo Palácio do Planalto

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), afirmou que deve entregar o relatório final nesta terça-feira (12). Marun não entrou em detalhes a respeito do conteúdo do parecer, mas mencionou a possibilidade de pedir o indiciamento do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e do procurador da República Eduardo Pellela, que foi chefe de gabinete de Janot.

O relator não informou, porém, que tipo penal seria usado. “Ainda estamos analisando”, disse. Segundo Carlos Marun , foi “no mínimo controverso” o acordo de colaboração firmado pelo Ministério Público Federal com os irmãos Wesley e Joesley Batista, donos do grupo J&F – que controla o frigorífico JBS e outras empresas.

O relator disse ainda que não decidiu se vai pedir em seu relatório a prisão do ex-procurador Marcelo Miller, apontado nas investigações como o responsável pelas articulações para fechar acordo de delação premiada entre os empresários da JBS e a Procuradoria-Geral da República. “Miller, então procurador, foi cooptado e trabalhou para os Batista durante o processo de negociação da delação”, destacou. “Tenho dificuldade em acreditar que Janot não soubesse dessas tratativas nesse período, já que Pellela estava sabendo.”

Sobre os termos do acordo de delação premiada, Marun sinalizou que deve pedir a nulidade dos benefícios recebidos pelos empresários e das provas obtidas de forma ilícita. Uma conversa gravada por Joesley Batista embasou uma denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Oferecida por Janot , a denúncia está no Supremo Tribunal Federal e segue suspensa, pois a Câmara negou autorização para a abertura do inquérito.

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Novo ministro

O nome de Marun foi confirmado para a Secretaria de Governo na noite do último sábado (9) pelo Palácio do Planalto. O presidente Michel Temer convidou o deputado federal para a vaga hoje ocupada por Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

O deputado tucano deixa a Secretaria, após entregar uma carta de demissão a Temer na última sexta-feira (8). Desse modo,  ele entrega o cargo a Carlos Marun – que toma posse na próxima quinta-feira (14). Imbassahy esteve na convenção nacional do PSDB no fim de semana, onde afirmou ter a sensação de deixar o governo com “o dever cumprido”, também reiterando seu compromisso para com a reforma da Previdência, que deve ser votada em plenário na Câmara dos Deputados no dia 18.

* Com informações da Agência Brasil e da Agência Câmara