Ministro argumentou que PSDB tem compromisso com o tema e demonstrou entusiasmo com Alckmin; Rodrigo Maia diz que votação da reforma da Previdência só será agendada quando houver "clara garantia" de aprovação

Ministro Moreira Franco afirmou que reforma da Previdência
Divulgação/Secretaria-Geral da Presidência
Ministro Moreira Franco afirmou que reforma da Previdência "dará consistência" para a recuperação econômica

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, demonstrou entusiasmo com as declarações do novo presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, defendendo que seu partido feche questão a favor da reforma da Previdência . Esse instrumento possibilita a punição dos parlamentares que não votarem conforme a orientação da cúpula do partido.

Durante evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira (11), Moreira Franco, que é uma das principais lideranças do PMDB, sugeriu até mesmo que os tucanos que não apoiam a reforma da Previdência deveriam deixar o PSDB.

“Ninguém é obrigado a continuar no partido. O PMDB fechou questão , em outras ocasiões, e puniu quem não cumpriu, porque assim tem que ser”, disse o ministro.

O chefe da Secretaria-Geral da Presidência justificou sua posição alegando que o partido tem em seu programa o "compromisso com a modernização do Estado e da sociedade brasileira". O próprio debate acerca das mudanças nas regras para acesso à aposentadoria, segundo Moreira Franco, foi introduzido durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Ainda no evento promovido pelo jornal O Estado de São Paulo na capital paulista, Moreira Franco defendeu que a aprovação da reforma é necessária para "dar consistência para a recuperação da economia" do País.

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Rodrigo Maia

O pacote de mudanças nas regras da aposentadoria está pronto para ir à votação no plenário da Câmara dos Deputados desde maio deste ano, mas teve sua tramitação interrompida devido à crise política suscitada pelas denúncias contra o presidente Michel Temer. Para ser aprovada, são necessários ao menos 308 votos, em dois turnos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na manhã desta segunda-feira que só pautará a votação da reforma caso o governo tenha "garantia" de que o texto será aprovado no plenário. Maia informou que ainda hoje haverá reunião com o presidente Temer para fazer a "contabilidade" dos votos e identificar quais devem ser os alvos dos esforços do Planalto em busca de apoio.

"A votação é urgente para o Brasil, mas de forma nenhuma nós podemos pautá-la sem uma garantia muito clara de que ela será aprovada", disse Maia, que participa de encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fies), também na capital paulista.

O cronograma inicial prevê que a leitura do texto elaborado pelo relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), deve ocorrer já nessa quinta-feira (14). Temer espera que a votação ocorra entre a próxima segunda e terça-feira (dias 18 e 19, respectivamente). As atividades no Congresso Nacional neste ano serão encerradas no dia 23.

Ciente das dificuldades para alcançar o número necessário de votos para a reforma da Previdência, Moreira Franco disse apenas que o objetivo do governo "é fazer com que se vote a proposta o mais rápido possível”.  “A expectativa é que haja poucas dúvidas dos dois lados”, completou.

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*Com reportagem da Agência Brasil

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