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Juiz evitou polemizar sobre interferência política, mas disse considerar 'apropriado' aumento no número de investigadores na Lava Jato; magistrado também cobrou 'vontade política' para aprovar medidas contra a corrupção

Juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, durante visita ao Senado
Geraldo Magela/Agência Senado - 1.12.16
Juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, durante visita ao Senado

O juiz federal Sérgio Moro defendeu nesta terça-feira (15) um efetivo maior de policiais federais atuando na Operação Lava Jato, sob o argumento de que "não é momento de vacilações". O magistrado de Curitba responsável pelos processos da operação na primeira instância participou do encontro Mitos&Fatos, promovido pela rádio Jovem Pan , na zona sul de São Paulo.

Sérgio Moro elogiou o trabalho do diretor-geral da Política Federal, delegado Leandro Daiello, e evitou polemizar acerca de suposta interferência política na Lava Jato – que viu no mês passado a PF encerrar o grupo especial de agentes que atuavam na operação .

“Eu penso que, num quadro como esse, é preciso ter um enfrentamento, principalmente por parte da polícia e do Ministério Público, sem vacilações. Os delegados que trabalham em Curitiba são muito dedicados, mas entendo que era apropriado um aumento de efetivo. Não no sentido de que há uma ação deliberada de enfraquecer a operação, mas eu acho que não é o momento de vacilações, é preciso investir para chegar com esse caso até o seu final", declarou Moro.

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Meidas contra a corrupção

O magistrado também cobrou "vontade política" para aprovar no Congresso Nacional o pacote de medidas contra a corrupção defendido pelo Ministério Público Federal .

Ele destacou que não basta a ação da Justiça Criminal para acabar com a corrupção sistêmica e que toda a sociedade tem de estar engajada. 

"Para o avanço de medidas anticorrupção é necessário ter vontade política que vem, em parte dos agentes políticos e em parte da sociedade civil, que vota e também reclama”, disse o magistrado, que chegou a ser aplaudido de pé pela plateia, por seus trabalhos na condução da Operação Jato, que investiga desvios de recursos da Petrobras. Ele advertiu, no entanto, que o movimento social deve ser suprapartidário para que alcance o seu objetivo.

Sérgio Moro fez um balanço positivo da Lava Jato ao lembrar a condenação de quatro diretores de alto escalão da Petrobras, dez representantes da classe política e a recuperação aos cofres públicos de pelo menos US$ 98 milhões, até agora.

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*Com informações e reportagem da Agência Brasil