De acordo com a PF, a investigação gira em torno de manobras ilegais, realizadas para impedir investigações sobre desvios de recursos públicos que envolviam nomes de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), é alvo de uma operação deflagrada nesta terça pela PF
Reprodução/Wikipedia
O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), é alvo de uma operação deflagrada nesta terça pela PF

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), é alvo de uma operação deflagrada no início da manhã desta terça-feira (15) pela Polícia Federal, que investiga crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça do governador e servidores do governo do estado. 

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Cerca de 70 agentes da Polícia Federal participam, desde as primeiras horas da manhã de hoje da operação que apura a prática de supostos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça por agentes públicos do Rio Grande do Norte. Além do governador, dois auxiliares de sua confiança, Adelson Freitas dos Reis e Magaly Cristina da Silva, também são investigados.

Agentes da PF cumprem 11 mandados judiciais expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sendo nove de busca e apreensão e dois de prisão. Dois imóveis residenciais pertencentes a Faria, a governadoria, no Centro Administrativo do estado, e a Assembleia Legislativa estão entre os locais onde os policiais recolheram documentos e provas para análise. 

O Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, é o tribunal responsável por investigar e julgar governadores (foro privilegiado). De acordo com a Polícia Federal, a investigação gira em torno de manobras ilegais, realizadas para impedir investigações sobre desvios de recursos públicos que envolviam nomes de funcionários fantasmas na folha de pagamento da Assembleia Legislativa do RN desde 2005. 

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Robinson Faria teria tentado comprar o silêncio de um delator da operação Dama de Espadas, que investigou a contratação de funcionários fantasmas na Assembleia. Em maio, ao denunciar 24 pessoas investigadas nesta operação, o Ministério Público afirmou que os desvios dos cofres da Assembleia Legislativa podem superar os R$ 5,5 milhões. Segundo as autoridades, os recursos públicos eram desviados por meio da inclusão de funcionários fantasmas na folha de pagamento da assembleia.

Como o processo corre em segredo de Justiça, a PF e o STJ não divulgaram mais detalhes sobre a operação. A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria do governo do RN, que se limitou a informar que Robinson Faria ainda não se manifestou sobre a ação policial, mas deve divulgar uma nota.

Nome da operação

A operação, batizada de Anteros , cumpre 11 mandados judiciais, que ainda estão sendo cumpridos. O nome tem inspiração no deus grego que semeia a discórdia, o ódio, e prejudica a afinidade dos elementos, sendo o oposto de Eros, seu irmão, que é conhecido como "deus do amor". 

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Outra operação da PF

Além da operação que almeja o governador do Rio Grande do Norte, também na manhã desta terça-feira, a PF deflagrou a Operação Hammer-on, que cumpre mais de 150 mandados judiciais contra organização criminosa transnacional que teria movimentado quase R$ 6 bilhões em quatro anos. há mais de 300 policiais e 45 servidores da Receita Federal cumprindo os mandados.

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*Com informações da Agência Brasil

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