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Segundo liderança, os 47 parlamentares do partido serão liberados a votar como quiserem, mas com orientação para ir contra relatório do tucano Paulo Abi-Ackel; aliado do governo, partido tem quatro ministros na gestão Temer

PSDB possui quatro ministérios no governo Michel Temer e orientou parlamentares a votarem a favor de denúncia
Marcelo Camargo/ABr
PSDB possui quatro ministérios no governo Michel Temer e orientou parlamentares a votarem a favor de denúncia

A liderança do PSDB na Câmara dos Deputados deve orientar seus representantes na Casa a votarem a favor da admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer nesta quarta-feira (2) . A informação foi confirmada ao iG pela assessoria do deputado federal Ricardo Tripoli (SP), líder tucano na Câmara.

Importante aliado do governo Temer, o PSDB detém hoje 47 cadeiras na Câmara. Apesar de a orientação da liderança favorecer a autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue o presidente, os parlamentares tucanos estarão liberados a votar como quiserem sobre o tema.

Ironicamente, os peessedebistas que apoiarem o prosseguimento da denúncia contra Temer, deverão votar contra o parecer elaborado por outro parlamentar tucano. Isso porque, após o voto do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) ser rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi escolhido como novo relator o deputado Paulo Abi-Ackel (MG). É o parecer de Abi-Ackel, que recomenda a rejeição da denúncia contra Temer, que será votado nesta quarta-feira na Câmara.

A orientação da liderança tucana não tem o mesmo peso de outra estratégia adotada no Congresso Nacional, que é o fechamento de questão. Quando uma legenda fecha questão acerca de um tema, os integrantes do partido podem sofrer punições caso adotem postura contrária à determinada. O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, fechou questão a favor da denúncia da Procuradoria-Geral da República. O PT tem atualmente 58 deputados em exercício.

Já do lado pró-Temer, até o momento cinco legendas fecharam questão pela rejeição da denúncia: o PMDB (partido do presidente e maior bancada da Câmara), o PR, o PP, o PSD e o PRB. Somados, os partidos detêm 207 cadeiras na Câmara.

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Apesar de ser um dos principais pilares de sustentação do governo Michel Temer , o PSDB vem reconsiderando sua relação com o peemedebista desde o surgimento das acusações reveladas a partir da delação do empresário Joesley Batista, do grupo JBS.

Caciques do partido já se reuniram em ao menos três ocasiões para decidir se mantém ou não o apoio a Temer. O PSDB possui hoje quatro filiados compondo a equipe de governo de Michel Temer: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Bruno Araújo (cidades) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

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 Denúncia e rito

A denúncia contra o presidente Michel Temer foi oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O chefe do Ministério Público Federal acusa o peemedebista de cometer crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em episódios envolvendo o empresário Joesley Batista.

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