Cela de centro de detenção banco de imagens - 13.07.2022
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Cela de centro de detenção banco de imagens - 13.07.2022

Condenado a 35 anos e nove meses de prisão por liderar e integrar organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico, Wesley Maciel Gomes é conhecido pelas autoridades policiais como ‘Bin Laden’ do Ceará. Um dos chefes de uma facção de origem paulista, ele carrega a fama de ter características de "psicopatia" e agir a "sangue-frio". No histórico, há acusações pela morte de um detento que foi queimado vivo e também ordens de assassinatos de policiais.

Wesley é um dos 13 membros de uma facção condenados pela Justiça do Ceará. O apelido veio quando ele já estava na prisão federal, devido a uma tatuagem e às graves infrações penais que cometeu mesmo após detido. Segundo divulgado pelo Diário do Nordeste, documentos do Ministério Público do Ceará (MPCE) indicam que ‘Bin Laden’ contava com “uma vasta gama de parceiros (e) criminosos”.

“(Eles) atuavam como gerentes das ‘bocas’ de tráfico, como ‘correias’ (e) laranjas que forneciam contas bancárias para a movimentação do dinheiro”, aponta trecho da denúncia, que ainda afirma que parte dos fundos arrecadados vinham de ameaças e roubo de veículos. “‘Bin Laden’ também se utilizou de cooperados para a combinação de ataques a ônibus e a delegacias de polícia, inclusive com a possibilidade de morte de policiais”.

Facção cresce no Ceará

A investigação começou quando um relatório da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apontou para uma possível expansão de integrantes de uma facção fundada nos anos 1990 em São Paulo. O relatório dizia que a organização tinha ampliado “consideravelmente o número de ‘batismos’, com objetivo de consolidar o comando de todas as Unidades Prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza”.

 A atuação dos criminosos se daria, inclusive, dentro e fora dos presídios. As “correias” da organização eram, segundo o documento, peças fundamentais para “o desdobramento, entrega, transporte e recebimento de entorpecentes e de dinheiro apurado do tráfico”. Eles ainda gerenciavam “pontos estratégicos de venda de drogas dentro dos territórios dominados pelo grupo” e forneciam armas e munições.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça fizeram com que as autoridades descobrissem que Wesley Maciel ocupava o posto de "Geral do Sistema do Estado do Ceará". Responsável pelo controle e disciplina dos membros da facção, ele era respeitado e temido. Com ‘Bin Laden’ preso, a movimentação do tráfico passou a ser feita pelos comparsas.

‘Frio’ e ‘psicopata'

Ainda segundo o Ministério Público, Wesley seria um membro engajado e comprometido com os objetivos da facção. Durante rebeliões que ocorreram nos presídios cearenses entre abril e maio de 2016 “como retaliação pela possibilidade de instalação de bloqueadores de celulares nas unidades prisionais, ‘Bin Laden’ empreendeu uma série de ações criminosas com o propósito de intimidar as investidas do estado”.

Na época, ele teria ordenado que João Bosco Cavalcante Bezerra Neto e outros comparsas ateassem fogo em um ônibus do município de Pacatuba, na região metropolitana de Fortaleza. A ação foi cumprida e o motorista do veículo teve parte do corpo queimado. Com base nas ligações acompanhadas pelas autoridades, outros crimes também foram comprovados, como a morte de um detento, que foi “queimado vivo”.

No trecho ouvido pelos oficiais, "Bin Laden" teria falado sobre um detento que, antes de morrer, pediu para que a execução fosse feita “no coquetel”, termo utilizado para designar mistura de cocaína com café, de modo que não sentisse “dor para morrer”. Enquanto assume a autoria dos crimes, Wesley também envia os vídeos das execuções para a companheira, Diana Nascimento Bastos, e descreve a si mesmo como “frio” e “psicopata”.

Em outro momento, o criminoso diz que foi buscar um detento na cela e que o acertou “várias vezes com uma barra de ferro na região da face e na cabeça”. Ele diz que sentia ódio de Diana e que descontou na vítima. A defesa de "Bin Laden" afirma que as acusações são falsas. Ele nega ter traficado e se reconhece como assaltante “porque era viciado em drogas”.

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