Mortes no Salgueiro: favela foi recordista este ano em homicídios
Marcos Porto/Agência O Dia
Mortes no Salgueiro: favela foi recordista este ano em homicídios

Nos primeiros nove meses de 2021, a área do 7º BPM (São Gonçalo), responsável pelo policiamento no  Complexo do Salgueiro — local onde houve pelo menos nove mortes no último fim de semana — registrou 167  homicídios em confrontos com a polícia, o equivalente a uma ocorrência a cada 39 horas, em média. O número é mais do que o dobro do verificado na Aisp (Área Integrada de Segurança Pública) 15 (Duque de Caxias), a segunda com mais casos: 81 mortes. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP).

A Aisp 7 também teve, entre janeiro e setembro, o ano com mais mortes em confronto com a polícia desde 2003, início da série histórica. Até então, o período mais violento havia sido nos primeiros nove meses de 2019, com 166 ocorrências.

Analisando-se apenas os meses deste ano, janeiro foi o mais violento, com 26 mortes, seguido por março, com 25 casos, e julho, quando foram registradas 24 ocorrências. Agosto foi o mês com menos homicídios decorrentes de confrontos na Aisp 7: houve sete registros.

Entre janeiro e setembro, um policial militar foi morto em serviço na área do 7º BPM. Não houve policiais civis mortos em serviço na área nesse período.

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Um dia após assassinato de sargento

As mortes ocorreram um dia após o sargento da PM Leandro Rumbelsperger da Silva, de 40 anos, ser assassinado, durante um patrulhamento no Complexo do Salgueiro. Segundo o tenente-coronel Major Blaz, a grande maioria dos mortos estava vestida com roupas ou itens de camuflagem:

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"As primeiras informações dão conta de que esses mortos, em sua grande maioria, estão com roupa camufladas. Fardas de combate, cinto de guarnição, coldres. Essas informações vão de acordo com que os policiais do Bope afirmaram. Já tive acesso a essas imagens, que são muito fortes, e que co-substanciam essa fala. Já temos um criminoso identificado - vulgarmente conhecido como 2k e era foragido da Justiça. A perícia que realmente fará a identificação positiva desses corpos. Sem ser a senhora na última sexta não há nenhuma informação nesse sentido (de moradores feridos ou mortos)".

Pelos menos três dos homens mortos não têm anotações criminais por tráfico de drogas. Dos oito corpos encontrados por moradores em uma região de mangue na comunidade e levados para o Instituto Médico-Legal (IML), sete já foram reconhecidos por familiares.

Desses, quatro eram investigados em inquéritos. O delegado Bruno Cleuder, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI), abriu um inquérito, e o Ministério Público Rio, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Niterói e São Gonçalo, instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para investigar o caso.

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