Conheça a linha de defesa de Jairinho e Monique no julgamento pelo assassinato de Henry Borel, de 4 anos de idade
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Conheça a linha de defesa de Jairinho e Monique no julgamento pelo assassinato de Henry Borel, de 4 anos de idade

A primeira audiência de instrução do julgamento sobre a morte de Henry Borel , que ocorrerá nesta quarta-feira (06), deve indicar o tom a ser adotado pela defesa dos réus até o desfecho do caso. O médico e ex-vereador do Rio de Janeiro, Jairo Santos Santos Júnior, o Doutor Jairinho, e sua ex-namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, respondem pelo homicídio do menino de 4 anos — enteado e filho, respectivamente. E a expectativa é por embates entre os advogados que representam cada metade do ex-casal.

Se no início das investigações da 16ª DP (Barra da Tijuca) os relatos eram consonantes, dando conta de uma convivência harmônica no apartamento da família, não demorou para que as versões se tornassem conflitantes. Dez dias após ser presa com Jairinho, em meados de abril — um mês após a morte da criança — Monique trocou de advogados e decidiu direcionar a artilharia contra o ex-companheiro: "Devemos revelar o que aconteceu no apartamento quando encontraram Henry caído. A dinâmica foi diametralmente oposta ao que foi colocado (na delegacia)", afirmou o defensor Hugo Novais na ocasião. Monique insistiu para que pudesse prestar um novo depoimento à polícia, mas isso acabou não acontecendo.

Na primeira versão apresentada ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, a professora disse ter dado banho no filho por volta de 20h do dia 7 de março, e depois o colocado na cama de casal para dormir. Monique e Jairinho teriam ficado na sala, assistindo televisão.

Até 1h50, Henry teria levantado três vezes, sendo levado de volta ao quarto pela mãe. Ela relatou que foi para o quarto de hóspedes com o namorado de modo a continuar vendo uma série sem que o barulho incomodasse o filho. Logo após, Jairinho teria adormecido.

Por volta de 3h30, Monique disse ter levantado e chamado o então vereador, que foi ao banheiro. Ao voltar ao quarto do casal, ela afirmou ter encontrado Henry caído no chão, com mãos e pés gelados, olhos revirados e sem responder ao seu chamado.

Ela relatou ter gritado por Jairinho, que foi imediatamente ao cômodo. Eles teriam se arrumado rapidamente e se dirigido para o Hospital Barra D’Or. No caminho, a professora contou ter feito uma respiração boca a boca na criança, depois de orientação do companheiro.

Em uma carta que entregou posteriormente aos investigadores, contudo, Monique alterou o relato e garantiu que quem encontrou Henry desacordado foi Jairinho. E essa não foi a única guinada: no texto de 29 páginas, ela descrevia uma rotina de supostas violências, humilhações e crises de ciúmes do namorado, com todos os contornos de um relacionamento abusivo.

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Segundo a professora, já no início do relacionamento o então parlamentar pediu para que ela apagasse fotos de suas redes sociais, colocou um localizador no celular dela, passou a ligar 20 vezes por dia e até a colocar pessoas para seguí-la e saber com que roupa ela estava malhando na academia.

Na mesma carta, Monique contava que certa vez, enquanto estava dormindo na casa dos pais com Henry, Jairinho invadiu o imóvel, durante a madrugada e lhe enforcou. Ele teria jogado o celular em cima dela, xingando-a e ofendendo-a por ter trocado mensagens com o ex-marido. A professora relatou que o namorado estava "transtornado" e "desfigurado com raiva". No dia seguinte, teria pedido desculpas, dito que a amava e que seus ciúmes se davam pelo fato de ela ser muito bonita.

Em julho, foi a vez de os advogados do Jairinho darem o troco. Em resposta à acusação do Ministério Público, a defesa do ex-vereador assegurarava que ele sempre foi um "pai carinhoso, presente, amado pelos filhos e por todos os membros de sua família" e tecia críticas a Monique.

O documento descreve Jairinho como um homem benévolo e sustenta que Monique foi insensível diante da morte de Henry, em mais um capítulo da guerra de acusações que os dois já travavam na Justiça à época. "A selfie em que ela apareceu sorridente e de pernas para cima, na antessala do gabinete da autoridade policial, onde prestaria depoimento, dias antes do decreto de sua prisão temporária, foi suficiente o bastante para revelar a frieza e a indiferença com a morte de seu filho”, escreveram os advogados de Jairinho.

"As cartas por ela manuscritas, permeadas de falsas lamúrias e de arrependimentos, todas amplamente divulgadas pela mídia, permitiram antever que a inverossímil versão por ela própria engendrada, no limiar das investigações, não seria mais a mesma", prosseguia o texto.

"O fato é que nem mesmo Leniel Borel, seu companheiro de vários anos e pai da vítima, se convenceu da sinceridade de seus sentimentos e da nova versão defensiva, tendo se insurgido publicamente sobre as suas manifestações. A rigor, nem era preciso o convívio de tantos anos para conhecer a verdadeira face de Monique, mulher jovem, bonita, aspirante do sucesso, da ascensão social, capaz de tudo para alcançar o seu objetivo", concluía o documento.


Procurados pelo Globo, os advogados dos réus preferiram não se estender. "A partir de hoje, iremos provar peremptoriamente a inocência da Monique", informaram Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Mattar Assad, que representam a professora. "Iremos desconstruir todas as provas produzidas durante a investigação", pontuou o criminalista Braz Sant'Anna, defensor de Jairinho.

Já os quatro advogados — Sâmya Massari, Márcio Cavalcanti, Igor Carvalho e Ailton Barros — que assessoram Leniel Borel, pai de Henry, que figura no processo como assistente de acusação, enviaram a seguinte nota: "Nesse momento processual, a partir da oitiva das testemunhas que vivenciaram situações substanciais sobre o fato, a acusação objetiva esclarecer questões fundamentais e comprobatórias acerca da autoria dos delitos constantes na denúncia".

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