Glaidson Acácio dos Santos teria utilizado a própria mãe como 'laranja' em esquema de pirâmide financeira
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Glaidson Acácio dos Santos teria utilizado a própria mãe como 'laranja' em esquema de pirâmide financeira

Preso desde o fim de agosto em uma operação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como 'faraó dos bitcoins' , teria utilizado a própria mãe como "laranja" no esquema de pirâmide financeira que comandava. A informação consta em uma outro inquérito do qual o ex-garçom é alvo, tocado pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), da Polícia Civil do Rio.

No relatório da investigação, ao qual o Globo teve acesso, consta que a mulher, de 55 anos, foi alvo de interceptações telefônicas realizadas com autorização da Justiça. Chamou a atenção dos agentes o fato de que, embora aparecesse como sócia em três empresas ligadas às atividades do filho, não houve, no período do grampo, nenhum diálogo, ligação ou mensagem de texto que indicasse qualquer envolvimento dela com os negócios das firmas.

Segundo os policiais, a mãe do ex-garçom "não conversou com Glaidson e não conversou sobre trade ou criptomoedas" em momento algum. A GAS Consultoria, principal braço do grupo, prometia lucros exorbitantes aos clientes mediante supostos investimentos em criptoativos, ainda que não tivesse sequer autorização dos órgãos regulatórios para fazer tais operações.

Para os delegados Leonardo Borges Mendes, titular da DCOC-LD, e Gabriel Poiava Martins, que assinam o documento, todo o contexto leva à suspeita de que a mãe do ex-garçom não exercia "a administração dessas empresas", só figurando nelas como 'laranja'". No texto, os investigadores reforçam a hipótese de que quem atuava "na gerência das empresas mencionadas seria Glaidson".

O relatório elaborado pela especializada aponta ainda para a existência de outros "laranjas" ligados ao esquema chefiado pelo ex-garçom e ex-pastor da Igreja Universal. Um deles seria um vendedor de óculos que passou de um emprego no qual ganhava R$ 969,31 por mês para "detentor da totalidade do capital social" de uma empresa que possuía uma conta-corrente com saldo de R$ 1,4 milhão. Os policiais chegaram a essa informação após uma reprodução do extrato em questão ser localizada no telefone celular de Glaidson, a partir da quebra do sigilo telemático, também mediante autorização judicial.

O mesmo homem está ligado a um segundo print de tela obtido no aparelho do ex-garçom, relativo a uma conta com saldo ainda maior: R$ 13,4 milhões. Embora o nome do titular que apareça na imagem seja outro, os investigadores descobriram que conta está associada a mais uma empresa, na qual o vendedor é, novamente, "detentor de todo capital social". O documento frisa ainda que o suposto "laranja" mora em Tucuns, bairro de classe média baixa em Búzios, na Região dos Lagos, "região não compatível com o perfil financeiro de empresário deste porte".

A DCOC-LD concluiu a investigação indiciando Glaidson, a esposa e outras 14 pessoas que, segundo a Polícia Civil, estavam envolvidas no esquema. A quadrilha foi enquadrada nos crimes de lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa, crime contra as relações de consumo e crime contra a economia popular. Além disso, os delegados pediram à Justiça que fossem bloqueadas contas bancárias, assim como o sequestro até mesmo de ativos em criptomoedas, dos 16 indiciados e também de 17 empresas ligadas ao grupo.


No dia 14 de setembro, o Ministério Público do Rio (MP-RJ) declinou a competência para dar prosseguimento ao caso por entender que os crimes cometidos pelo bando são de competência e atribuição dos órgãos federais. Assim, todas as informações da investigação foram remetidas pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-RJ, para a PF e o MPF, responsáveis pelas prisões já realizadas e que já vinham investigando Glaidson e os comparsas.

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