Sarí Corte Real
Reprodução / TV Globo
Sarí Corte Real


Mais de um ano depois da  morte de Miguel Otávio, de 5 anos, Sarí Corte Real, ré no processo que investiga o caso, prestou depoimento no Centro Integrado da Criança e do Adolescente (CICA), nesta quarta (15), em Recife.

Acusada pelo Ministério Público de Pernambuco por ter abandonado a criança, sendo que havia assumido o papel de "garantidor", Sarí disse que tentou convencer Miguel a sair do elevador e retornar ao apartamento. O advogado de defesa de Sarí, Célio Avelino, afirmou que a própria acusação confirmou a tentativa. 

"O próprio corpo da acusação diz que Sarí tentou por cinco minutos convencer a criança a sair do elevador e voltar pro apartamento. Cinco minutos é uma eternidade. Ele [Miguel] sai de um elevador para outro e Sarí vai atrás", declarou o advogado. "Isso não é abandono de incapaz, pelo contrário, revela o cuidado que ela teve", completou, segundo informações do portal UOL. 

Já Mirtes Souza, mãe de Miguel, contestou a ex-patroa em entrevista coletiva: "A estratégia de defesa querendo tirar a culpa dela [Sarí] e ainda querer colocar em mim, questionando a minha educação, a educação que eu dava ao meu filho, que minha mãe dava. Eles falam de uma forma como se eu fosse a pior mãe do mundo. Se eu fosse a pior mãe do mundo, eu não estaria aqui lutando para que ela seja responsabilizada pela morte do meu filho". 


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Relembre o caso

O caso aconteceu no dia 2 de junho, quando Mirtes Souza deixou seu filho, Miguel Otávio, com sua ex-patroa, Sarí Corte Real, enquanto passeava os cachorros dela. Miguel caiu de uma altura de 35 metros.

Na decisão, o juiz José Renato Bizerra considerou que Sarí assumiu o papel de "garantidor" sobre Miguel pelo tempo em que a mãe dele estava ausente. O magistrado também apontou "indícios de autoria e materialidade do delito".

Bizerra ordenou a citação de Sari, com cópia da denúncia, para ela se pronunciar em dez dias. O prazo, à época, referia-se à apresentação de respostas por escrito, onde Sarí deveria alegar tudo o que interessava a sua defesa, oferecer documentos, especificar provas pretendidas e arrolar testemunhas.

Em entrevista ao "Fantástico", da TV Globo, no ano passado, Sarí disse que errou ao não desconfiar do perigo de deixar o menino sozinho em um elevador. "Eu não achei que seria essa tragédia. Eu acreditei que ele voltaria para o andar, que ele voltaria para o quinto andar, até porque ele sabia o número, eu acreditei que ele voltaria para o andar", disse Sarí, que acrescentou que "acho que o meu erro foi fazer igual a eu fazia com o meu filho, de achar que o elevador é seguro".

No dia da morte da criança, Sarí foi presa em flagrante por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, e liberada após pagar fiança de R$ 20 mil. Ela disse que cumpriria a decisão da Justiça sobre o caso, e que acreditava não poder ser julgada por Mirtes ou pela população por causa da tragédia.

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