Glaidson Acácio dos Santos
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Glaidson Acácio dos Santos



Um comerciante e uma professora de educação física, pai e filha, que aportaram juntos R$ 50 mil na empresa de Glaidson Acácio dos Santos — preso sob a acusação de comandar um esquema de pirâmide financeira —, conseguiram na Justiça o bloqueio de bens vinculados ao suposto investidor, que ficou conhecido como "Faraó dos bitcoins".

Moradores de Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio, os dois repassaram R$ 30 mil e R$ 20 mil, respectivamente, à GAS Consultoria, que prometia lucros exorbitantes mediante transações com criptomoedas.

Nas duas decisões, proferidas nesta segunda e nesta terça-feira, o juiz Rubens Soares Sá Viana Junior, da 1ª Vara Cível da Comarca de Guapimirim, determina o arresto de valores equivalentes aos investidos pela dupla em contas que pertençam a Glaidson ou à GAS. Em uma delas, o magistrado frisa a "possível ocorrência de fraudes, inclusive por pirâmide financeira", conforme o sustentado pela "parte autora".

Com os dois novos bloqueios de bens vinculados ao ex-garçom, que também já foi pastor da Igreja Universal, já são pelo menos cinco ordens judiciais semelhantes somente no estado do Rio. Ao todo, o montante arrestado com as decisões soma R$ 290 mil. O número, porém, pode subir exponencialmente, tendo em vista que mais de uma dezena de ações similares vêm sendo movidas por clientes de Glaidson.

No processo, o comerciante afirma que depositou R$ 30 mil em uma conta associada à empresa no dia 13 de maio deste ano. Dois meses depois, em 26 de julho, a filha dele repassou R$ 20 mil para a mesma conta. As duas ações pontuam que pai e filha foram surpreendidos quando o caso "ganhou as manchetes dos jornais, através de operação da Polícia Federal onde foram apreendidos mais de R$ 150 milhões, sob o argumento de que a ré na verdade era uma pirâmide financeira".

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O advogado Alberto Ferreira Fares Neto, que representa as duas vítimas, acrescenta no pedido que os representantes da empresa "pararam de responder" e alegaram que "a devolução do valor investido não seria possível, em função dasdisposições contratuais". O defensor pede ainda que pai e filha sejam ressarcidos em R$ 15 mil cada a título de danos morais.

"Diante dos fatos, da repercussão negativa e de eventuais crimes perpetrados pela empresa GAS Consultoria, optamos por, atendendo ao pedido dos nossos clientes, ofertar uma ação com pedido de tutela de urgência, para que o Poder Judiciário rescinda o contrato realizado entre as partes com a devida devolução dos valores aportados", explica Alberto Neto.


Preso no fim do mês passado por suspeita de montar um esquema de pirâmide financeira, Glaidson é alvo, neste momento, de pelo menos 13 ações que tramitam no Tribunal de Justiça do Rio. Em uma das decisões na qual o bloqueio do dinheiro investido já foi concedido, um servidor público, também morador de Guapimirim, conseguiu o arresto de R$ 180 mil das contas da GAS Consultoria e Tecnologia LTDA., empresa para a qual realizou três depósitos, na expectativa de receber os lucros do investimento em criptomoedas.

Em um outro despacho, uma professora de Cabo Frio, na Região dos Lagos, cidade que era base da atuação de Glaidson, conseguiu o bloqueio online de R$ 20 mil nas contas da GAS LTDA. O valor é referente ao montante investido pela educadora e também a uma indenização por danos morais.

Na última decisão localizada pelo GLOBO, um advogado residente em Itaboraí conseguiu o bloqueio de R$ 60 mil investidos na conta da GAS. Em seu pedido para o bloqueio dos valores, o investidor ressalta que Glaidson dos Santos encontra-se preso e que a Polícia encontrou evidências de que ele tentava fugir do país. Em entrevista ao GLOBO, ele se disse "constrangido", mas que acreditou que o rendimento oferecido pelo ex-garçom era lícito .

"Tenho alguns amigos empresários que já investiam lá e me recomendaram. A publicidade deles é muito forte. Além disso, eu sabia que havia realmente um grande boom nesses criptoativos, pessoas ficando milionárias, notícias relatando valorizações incríveis. E eu nunca tive muita familiaridade com isso. Para quem não é desse mundo, fica numa espécie de zona cinzenta, o que acaba fazendo com que a pessoa acredite que é possível. Pra mim, é constrangedor, claro, mas em um primeiro momento, diante de todo esse panorama, eu acreditei", contou o advogado.

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